Características do texto Dissertativo-Argumentativo: diferenças entre Vestibulares e o Enem
Toda dissertação-argumentativa tem que ter proposta de intervenção, citação, título? Role a tela para ver as respostas e entender por que quase todo vestibular e o Enem insistem em pedir dissertação! Sim, tem uma lógica nessa insistência deles. E como eles não vão mudar de ideia tão cedo, entenda as características do texto dissertativo-argumentativo e as diferenças entre vestibulares e Enem. Por que fazer redações dissertativas em provas? Pensa com a gente: qual o melhor tipo de texto para avaliar um aluno de forma justa? A narração depende de uma certa habilidade criativa. Afinal, todo mundo escreve uma história, mas narrativas interessantes, que prendem o leitor, não é pra qualquer um. E como a narrativa depende da criatividade, alguns candidatos seriam privilegiados – nosso sistema de ensino não treina criatividade muito bem… A descrição é, de certa forma limitada, quer dizer, o corretor não teria muitas chances de avaliar o candidato – basicamente analisaria gramática. Sem mencionar que textos que usam apenas descrição são poucos (relatórios científicos, por exemplo). Então sobrou para a dissertação. A dissertação é perfeita para o corretor avaliar o candidato. Além da gramática e da linguagem, é possível avaliar a habilidade de raciocínio dele, e seu nível de maturidade (sim, no ensino superior precisamos de gente com maturidade!). Na dissertação, não faz diferença se o candidato tem aptidão artística, e sim pensamento crítico. É uma forma justa de avaliar ou não é?! Além disso, há uma infinidade de assuntos para se usar em dissertações! Se você segue nosso blog, já viu dezenas deles – toda semana temos um novo, e semana que vem tem outro chegando. Entendeu agora? Por isso dissertação é a composição escrita preferida dos vestibulares e do Enem! Como é um texto dissertativo-argumentativo para vestibular e Enem? Temos um artigo que explica sobre a diferença entre dissertação argumentativa e a expositiva. De qualquer forma, vamos detalhar a argumentativa agora. Dissertação argumentativa é qualquer texto em que o autor dê seu parecer sobre um assunto. Qualquer texto mesmo – até em forma de poesia, crônica… Mas, em provas, a dissertação argumentativa tem que ter 3 partes: Esses elementos são obrigatórios em qualquer redação dissertativa de prova, ok? No entanto, a maior parte da pontuação recai sobre o desenvolvimento, pois ali está a argumentação. Então no desenvolvimento é que você precisa dar seu máximo! Como fazer uma argumentação perfeita no vestibular ou Enem? Há muita coisa (muita coisa mesmo!) que você precisa treinar na sua argumentação – temos muitos artigos ensinando tudo isso, é só procurar! Mas, só para agilizar sua vida, vamos resumi-los agora. Argumentos convincentes Explique da melhor forma que puder por que você tem aquela opinião que está na tese. É isso que é argumentar de forma convincente. O leitor não será convencido a seguir sua opinião – não, nada disso! Ele entenderá suas razões para sua opinião, só isso. E para conseguir esse efeito, siga estas dicas: 1. Seus argumentos precisam combinar com sua tese. Como é que é?! você não sabe o que é tese? Não seja por isso: aqui está tudo sobre tese. Redações que têm teses interessantes, argumentos cheios de citações e bem explicados, mas que não têm a ver com a tese… não têm chance. 2. Seus argumentos precisam ser baseados em verdades. Sobre as verdades nas quais sua argumentação precisa se basear, podem ser as seguintes: Em qualquer redação dissertativa de prova esses elementos vão muito bem, pode usar! Você percebeu que são garantias de autoridades? Valem como verdades. 3. Seus argumentos precisam ser claros. Podemos imaginar você dizendo “Isso é óbvio, se não for claro, o corretor não vai entender (e eu não vou receber a nota que preciso)!” A gente também achava óbvio, mas nossos corretores insistiram que a gente incluísse na lista. Eles dizem que muitas vezes precisam reler um trecho de uma redação para entender! E é tão comum continuarem sem entender… Então, por favor, escreva como você falaria com o professor-corretor. E releia a redação para ver se está tudo no lugar certo mesmo… sabe como é… 4. Com informações suficientes E sobre a suficiência das informações, você precisa ter certeza de que o leitor não ficou com dúvida em nada. Um erro comum é o candidato supor que o corretor vai entender a ideia, mas na prática falta alguma informação para que ele entenda. E o oposto também é verdadeiro: tem candidatos que repassam informações excessivas, informações que todos conhecem – é um erro. Precisa pôr título na redação do vestibular e do Enem? Observe que alguns vestibulares exigem título e outros não. Sua prova de vestibular ou do Enem pode pedir título (ou não) de uma hora para outra – tem isso também! É direito deles. Então leia direitinho as informações no caderno de provas, porque é lá que vai estar essa informação. O que temos visto é que a ausência do título, quando ele é pedido, não costuma desclassificar o candidato, mas sabemos de vestibulares que desclassificam. Entretanto, no Enem há um detalhe que faz toda a diferença: o título conta como linha da redação, então pode classificar uma redação que tenha só 7 linhas (ele é a 8ª linha!). Portanto aconselhamos que leve a sério a obrigatoriedade de usar um título (se for o caso). Temos umas dicas legais para títulos, caso você deseje (ou precise) incluir um. Embora títulos não recebam nota, por que não criar um título atraente, não é? Os títulos mais queridos pelos candidatos que nos enviam redações para corrigir são os seguintes: Aconselhamos que você não perca tempo tentando criar um título original, porque o tempo é crucial na redação (como já dissemos) – dedique o tempo ao que vale pontos! Pense num título que tenha a ver com seu texto e seja atraente – é o que basta. O que a redação do Enem tem de diferente? Já ouviu falar daquela história da proposta de intervenção no Enem, não é? Entenda o seguinte: dissertações podem incluir soluções possíveis, sempre que você
Diferenças entre a redação do Enem e a da Fuvest
Vai encarar os dois vestibulares? Então é hora de saber as diferenças entre a redação do Enem e a da Fuvest (e as semelhanças também!). Aqui estão os dois maiores processos seletivos do Brasil: Fuvest e Enem. E adivinha? esses vestibulares têm as redações que causam mais calafrios nos candidatos! Vamos fazer assim: você verá uma comparação entre as duas redações com base em cada detalhe das provas. Comecemos! Diferença entre a redação do Enem e Fuvest nas propostas de intervenção Fuvest: Não costuma pedir propostas de intervenção, ou seja, soluções para os problemáticas da temática. É que os temas, geralmente, não são problemas a serem resolvidos, e… se não tem problema, não existe solução, não é mesmo? Veja se esta proposta de redação de 2022 espera alguma solução: Enem – Pede sempre proposta de intervenção porque seus temas são sempre ligados a problemas sociais. Observe nesta proposta de redação de 2020 como isso é pedido: Então, agora, vamos falar mais dos temas. Diferenças na redação do Enem da Fuvest nos temas Fuvest – Os temas da Fuvest envolvem comportamento humano e analisam a capacidade do candidato de observar o mundo ao redor e pensar sobre ele. Assim, a Fuvest leva os candidatos a um tipo de dissertação argumentativa parecida com um ensaio. Ensaio é um texto onde o autor expõe o que pensa, mas sem tentar convencer ninguém, nem de chegar a uma resposta definitiva, a uma solução. Esta proposta de redação de 2017 é um exemplo perfeito: Saiba como interpretar temas subjetivos como os da Fuvest: Enem – Sempre pede dissertações sobre problemas brasileiros. Embora seja uma dissertação-argumentativa, pode ter características expositivas também. Isso é normal, afinal os candidatos devem seguir o mesmo caminho: falarem do problema em si e dar soluções, então as redações ficam parecidas. E qual a marca registrada de cada prova? Diferença na redação do Enem e da Fuvest no padrão esperado Fuvest – Espera que o candidato “apareça” na redação, mostre sua personalidade, sem medo. Inclusive em várias propostas de redação a Fuvest fez perguntas diretas ao candidato, levando-o a escrever em primeira pessoa. Foi o caso da prova de 2007: Dar opinião sem medo, ter pensamento crítico é de muito valor para a Fuvest! Ela considera também o nível de maturidade do candidato. Enem – Não é tão importante que o candidato apareça com sua personalidade na redação; o mais importante é o básico: ser claro e ter coerência no que escreve. Mesmo que o candidato escreva de forma 100% impessoal, pode chegar à nota máxima. Falemos sobre os textos de apoio de cada prova! Textos motivadores Como usá-los? Fuvest – Deseja-se que o candidato dialogue com os textos de apoio – quer dizer, não faça de conta que eles não existem! A Fuvest não só testa sua habilidade em escrever e ser claro, mas sua capacidade de compreender os textos e as nuances deles. Escrever uma redação para a Fuvest ignorando os textos de apoio não significa estar “fora da disputa”, de jeito nenhum, mas, numa competição alta, quem mostrar a habilidade de dialogar com os textos já está na frente. Enem – No entanto, aqui não exige que os textos de apoio sejam comentados na redação, não há nota específica para isso. Tipos de textos Fuvest – Os textos motivadores (de apoio) costumam ter um nível de dificuldade um pouco maior que os do Enem. Quando mencionamos nível de dificuldade alto, isso pode significar vocabulário mais amplo ou erudito, ou um raciocínio mais intrincado. Logo, para sentir na pele o que é isso, veja a proposta de redação de 1998: Viu como a Fuvest exige ótima capacidade de interpretação? Inclusive poemas e músicas podem aparecer como apoio na Fuvest. Enem – Os textos motivadores costumam ser de fácil compreensão. E mesmo que sejam ignorados, o importante na prova é o recorte temático, que vem geralmente em destaque. A prova de 2013 tem textos bem fáceis de serem compreendidos, veja: Agora… o ponto central de uma prova de redação! Proposta de redação Existem diferenças na redação do Enem e da Fuvest quando se trata da proposta de redação, e é importantíssimo não se perder! Afinal, isso pode custar sua nota! Fuvest – A proposta pode conter alguma pergunta direcionadora (que é o foco do tema), mas também pode ter mais de uma pergunta (o candidato pode até escolher qual prefere focar). Ou até… uma série de perguntas, para dar uma ajudinha! Veja se não foi o caso da prova de 2002: E já houve momentos em que não havia pergunta nenhuma! Foi o que aconteceu na prova de 1995: Como você vê, é bom estar preparado quanto à interpretação de textos! Enem – O importante mesmo é seguir o recorte temático, que sempre vem destacado com aspas, como nesta prova de 2018: Repertório Fuvest – Não existe qualquer pontuação a mais para quem cita fontes confiáveis, como filósofos, obras ou coisas do tipo. Apenas que, naturalmente, qualquer argumento que traga mais garantia tem o poder de reforçar a argumentação, isso sim. Enem – Algum repertório que tenha garantia da fonte – algum estudioso, ou alguma área do conhecimento – tem pontuação à parte. É o jeito de o Enem valorizar quem tem mais hábito de leitura e interesse. Então, hora de entrar em alguns detalhes. Extensão Fuvest – mínimo de 20 linhas. Enem – mínimo de 8 linhas. Título Fuvest – Pede título (embora ela não tenha tirado pontos de quem não põe título). Enem – Não pede título (embora não tire pontos de quem ponha título).Número de linhas por parágrafo Fuvest – Não há exigência de número exato de linhas ou frases por parágrafo. Enem – Embora não haja informação sobre número mínimo de linhas na cartilha do Enem, sabe-se, pela cartilha dos corretores, que parágrafos sem desenvolvimento são considerados embrionários. E parágrafo embrionário pode significar perda de nota. Semelhanças entre a redação do Enem e da Fuvest Saiba mais sobre a redação da Fuvest: Leia alguns artigos relacionados que
Diferença entre tipos textuais e gêneros textuais e os mais comuns
Quando o assunto são tipos e gêneros textuais, é normal se confundir um pouco e até achar complicado demais. Porém, com as informações corretas fica muito mais fácil entender esse elemento tão importante durante toda a nossa formação educacional. Uma das razões que gera desentendimento entre os estudantes é a falta de clareza sobre a diferença entre gênero e tipo textual e quais são os seus detalhes e características. Podemos passar por anos na escola, e até mesmo na universidade, sem saber fazer a distinção correta entre as duas modalidades que se permeiam. Pois, por serem partes integrantes entre si, são comumente, e erroneamente, tratadas como a mesma coisa. E pensando nisso, nossa equipe do Redação Online preparou um pequeno guia que irá ajudar na compreensão desse tópico tão temido entre a maioria dos alunos, principalmente os que estão estudando para o ENEM e vestibulares. Continue lendo para se preparar para qualquer prova e ainda dominar o assunto de uma vez por todas. Tipos de redação e suas principais características Para entender bem sobre redação primeiro é necessário que se compreenda o que são tipos e gêneros textuais. Isso acontece, porque a tipologia textual trata especificamente sobre os constructos teóricos definidos por atributos linguísticos específicos, como os aspectos lexicais, o tempo verbal, a sintaxe e mais. Esses agentes constituintes da produção possuem e são formados, então, por características e sequências linguísticas presentes na grande maioria dos textos produzidos na sociedade. Portanto, para nos aprofundarmos nas exigências das provas de concursos públicos, vestibulares e ENEM, é necessário entender um pouco sobre o funcionamento de cada parte do desenvolvimento da sua escrita. Conheça, de forma resumida, cada tipo e sua função. descritivo: um processo estático, que dá detalhes, caracteriza e faz uma descrição sobre quaisquer situações e cenários, imaginárias ou não. A caracterização de algo ou alguém; narrativo: uma sequência temporal, um recorte geralmente fictício, que envolve acontecimentos de um personagem, narrados por uma figura de narrador. Que pode ser parte da história, ou não; expositivo: quando se fala sobre determinado assunto, explicando como esse fenômeno acontece ou “funciona”; argumentativo ou dissertativo-argumentativo: recurso que é utilizado quando queremos defender e fundamentar nossa ideia ou ponto de vista, com a intenção de persuadir o outro a concordar com um posicionamento específico; injuntivo: os textos dessa categoria, também conhecidos como instrucionais, são feitos com a intenção de instruir alguém a praticar uma ação. Agora que você já sabe um pouco mais sobre as tipologias apresentadas pelos estudiosos da língua e do discurso, fica mais perceptível e fácil de reconhecer e seguir os comandos presentes nas questões e temas de redação. Tipos e gêneros de redação mais comuns em provas e vestibulares Agora que estabelecemos a diferença entre os conceitos e como tratá-los da maneira correta, vamos conhecer um pouco mais sobre os gêneros textuais mais comuns quando o assunto é produção textual. Eles são simples de entender e possuem estruturas fáceis de aplicar, basta saber identificá-los com base nos seus elementos. Uma informação de enorme importância é que um gênero pode conter mais de um tipo textual. Por exemplo, manuais de montagem de móveis possuem uma lista contendo as peças (texto do tipo descritivo) e as instruções de como fazer a montagem (texto do tipo injuntivo). Por isso, sempre preste atenção nos elementos necessários na hora de produzir um texto específico. Veja quais são as produções mais requisitadas pelas bancas em ordem de prevalência. 1. Tipo Narrativo Dentro dessa categoria estão todas as produções que seguem o padrão: personagem – ação – tempo – espaço. A ação é performada pelos personagens que, por sua vez, estão inseridos em um tempo e espaço específicos. A narrativa conta uma história, geralmente fictícia, através do seu elemento principal, o narrador, que pode fazer parte dos acontecimentos ou não. Essa construção é a mais comum e recorrente entre as estruturas textuais, tanto na forma oral, quanto na forma. Por conta disso, muitos gêneros textuais possuem os elementos da tipologia narrativa, como: a crônica, contos, fábulas, romances, lendas. Em vestibulares, concursos e provas o mais esperado é que a crônica seja abordada como proposta de produção. Portanto, lembre-se de que a estrutura básica é marcada por: introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão ou desfecho. Seus narradores podem em primeira pessoa (o narrador vive a história) ou em terceira pessoa (quando o narrador é apenas um espectador). 2. Texto dissertativo ou dissertativo-argumentativo Os textos dissertativos são caracterizados pela apresentação de temas ou assuntos, com o posicionamento e estruturação de argumentação, exemplos e dados consistentes. É muito importante ressaltar que toda argumentação, para que seja válida, deve conter dados, pesquisas e informações devidamente confirmadas. Nada de achismos e ideias sem comprovação. Sua estrutura deve se organizar em torno de uma estratégia de persuasão sobre o posicionamento proposto no texto. Portanto, os elementos presentes, devem ser: exposição inicial do tema; posicionamento da ideia que criará a base da argumentação; problematização e exposição dos argumentos relacionados ao tema; resolução da discussão; conclusão e pontuações finais. Os gêneros textuais dissertativos mais comuns são os artigos de opinião, teses e dissertações acadêmicas, editoriais jornalísticos, etc. 3. Texto injuntivo Com foco em fornecer instruções, o tipo injuntivo procura instruir e guiar o leitor na realização de determinadas ações. A linguagem, por conta disso, é mais voltada ao modo imperativo, indicando a pedido ou ordem de forma clara e objetiva, sem marcas de pessoalidade e com frases e tópicos menores, facilitando a compreensão. Em razão disso, é comum encontrar gêneros que mesclam o tipo expositivo ou dissertativo para apresentar ou defender um posicionamento para, depois, realizar uma solicitação ou instrução. Seus exemplos mais comuns são: instruções em geral, receitas médicas ou de cozinha, manuais, textos de orientação, etc. 4. Texto Expositivo Assim como o próprio nome sugere, a exposição de informações e saberes é o foco da exposição. Contudo, diferentemente da dissertação e argumentação, seu único objetivo é apresentar ideias, conceitos e conhecimentos sobre tópicos e temas, de forma organizada e que faça sentido. Para que a