A correção da redação do ENEM 2025 mudou? O que os documentos revelam e como isso afeta sua preparação para 2026

Nas últimas horas, a pauta “mudança na correção da redação do ENEM 2025” ganhou força após a publicação de uma apuração jornalística que cita documentos internos, e-mails e relatos de corretores, apontando diferenças operacionais suficientes para alterar a forma como textos foram avaliados.
Mesmo com o Inep negando alteração de critérios, o debate levantou um ponto central para o estudante: quando a regra muda (ou a aplicação da regra muda), a preparação também precisa mudar e isso precisa ser comunicado com clareza.
Disponível em: exclusivo documentos correcao redacao enem 2025 (g1.globo.com)
Quais foram as principais mudanças apontadas para a correção da redação do ENEM 2025?
De forma geral, os materiais repercutidos indicam três mudanças com potencial de impactar nota:
maior subjetividade em coesão (Competência 4);
punição mais severa em proposta de intervenção quando falta “ação” (Competência 5);
ampliação do peso do repertório sociocultural (Competências 2 e 3).
A Competência 4 ficou mais subjetiva? O que mudou na coesão?
A Competência 4 avalia mecanismos linguísticos de coesão (conectivos, articulação entre ideias, progressão textual). O que aparece na repercussão é que, em 2025, a avaliação teria ficado menos baseada em “parâmetros matemáticos” (ex.: contagem de conectivos) e mais baseada em classificações qualitativas, como uso “pontual”, “regular”, “constante” ou “expressivo”.
Por que isso importa para o vestibulando?
Quando a régua fica mais interpretativa, o estudante precisa:
garantir progressão lógica clara (não apenas “encher” de conectivos);
usar conectivos com função real, evitando repetição automática;
trabalhar encadeamento de períodos (causa, consequência, contraste, conclusão) de modo consistente.
Reprodução G1– “Competência 4: regra 2025 vs. regra 2024”
A Competência 5 passou a punir mais quando faltava “ação”? Como isso funciona na prática?
A Competência 5 avalia a proposta de intervenção. Em linhas gerais, o ENEM cobra elementos como:
ação (o que será feito),
agente (quem fará),
meio/modo (como),
finalidade (para quê),
detalhamento (explicitação/viabilidade).
O que os documentos repercutidos indicam é que, em 2025, a ausência do item “ação” teria gerado uma penalização mais severa do que a perda padrão por ausência de um elemento, surpreendendo candidatos que “achavam” que estavam completos.
Reprodução G1
Como se proteger disso em 2026?
Escreva a ação em forma de verbo + objeto (ex.: “instituir programas de…”, “ampliar a oferta de…”, “fiscalizar…”, “promover campanhas…”).
Não deixe a ação “implícita” dentro da finalidade.
Faça um checklist mental na revisão final: AÇÃO / AGENTE / MEIO / FINALIDADE / DETALHAMENTO.
O repertório sociocultural passou a valer mais? Ele pode ter afetado duas competências?
Outro ponto destacado é o endurecimento com repertório “genérico” (o famoso “repertório de bolso”). A orientação geral já era: repertório precisa ser pertinente, produtivo e contextualizado.
O que aparece na repercussão é que um material complementar teria orientado a leitura conjunta de Competência 2 e 3, fazendo com que repertórios considerados frágeis pudessem “pesar” em mais de uma competência.
O que isso muda na prática?
Não basta citar autor/obra: é preciso explicar a ideia e ligar ao recorte do tema.
Repertório deve gerar consequência argumentativa: ele precisa “empurrar” seu raciocínio.
Reprodução G1
Se o Inep diz que não mudou, por que tanta gente percebeu diferença nas notas?
As matérias destacam relatos de candidatos com histórico de notas altas e queda incomum em 2025, o que aumentou a sensação de instabilidade no processo.
Ao mesmo tempo, o Inep sustenta que não houve mudança de critério e reforça procedimentos de correção (múltiplos avaliadores, mecanismos de equilíbrio).
Nosso ponto pedagógico aqui é simples:
Mudanças podem existir em documentos internos, treinamentos, interpretações e operacionalizações. Mesmo quando o nome da competência não muda, o modo de aplicar a régua pode mudar e é exatamente por isso que transparência e comunicação são tão importantes para quem estuda.
Por que a falta de transparência é especialmente grave em 2026 com o SISU?
Outro destaque do debate é a comparação entre edições diferentes do ENEM no processo seletivo (2023/2024/2025), o que aumenta a sensação de “concorrência com réguas diferentes” quando há percepção de maior rigor em uma edição.
O que a Redação Online pensa sobre isso?
Aqui na Redação Online, nós já vínhamos alertando que o ENEM está exigindo:
leitura mais precisa do tema,
argumentação mais madura,
repertório menos decorado e mais contextualizado,
proposta de intervenção mais completa e tecnicamente segura.
Mudanças fazem parte do exame. O ponto é que o estudante precisa ser avisado, precisa ser preparado e precisa ter acesso a critérios e orientações com clareza.
O problema não é mudar. O problema é mudar sem orientar previamente, porque isso compromete previsibilidade e confiança no processo.
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