
Nas últimas horas, a pauta “mudança na correção da redação do ENEM 2025” ganhou força após a publicação de uma apuração jornalística que cita documentos internos, e-mails e relatos de corretores, apontando diferenças operacionais suficientes para alterar a forma como textos foram avaliados.
Mesmo com o Inep negando alteração de critérios, o debate levantou um ponto central para o estudante: quando a regra muda (ou a aplicação da regra muda), a preparação também precisa mudar e isso precisa ser comunicado com clareza.
Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/02/05/exclusivo-documentos-correcao-redacao-enem-2025.ghtml
De forma geral, os materiais repercutidos indicam três mudanças com potencial de impactar nota:
maior subjetividade em coesão (Competência 4);
punição mais severa em proposta de intervenção quando falta “ação” (Competência 5);
ampliação do peso do repertório sociocultural (Competências 2 e 3).
A Competência 4 avalia mecanismos linguísticos de coesão (conectivos, articulação entre ideias, progressão textual). O que aparece na repercussão é que, em 2025, a avaliação teria ficado menos baseada em “parâmetros matemáticos” (ex.: contagem de conectivos) e mais baseada em classificações qualitativas, como uso “pontual”, “regular”, “constante” ou “expressivo”.
Por que isso importa para o vestibulando?
Quando a régua fica mais interpretativa, o estudante precisa:
garantir progressão lógica clara (não apenas “encher” de conectivos);
usar conectivos com função real, evitando repetição automática;
trabalhar encadeamento de períodos (causa, consequência, contraste, conclusão) de modo consistente.
Reprodução G1– “Competência 4: regra 2025 vs. regra 2024”
A Competência 5 avalia a proposta de intervenção. Em linhas gerais, o ENEM cobra elementos como:
ação (o que será feito),
agente (quem fará),
meio/modo (como),
finalidade (para quê),
detalhamento (explicitação/viabilidade).
O que os documentos repercutidos indicam é que, em 2025, a ausência do item “ação” teria gerado uma penalização mais severa do que a perda padrão por ausência de um elemento, surpreendendo candidatos que “achavam” que estavam completos.
Reprodução G1
Escreva a ação em forma de verbo + objeto (ex.: “instituir programas de…”, “ampliar a oferta de…”, “fiscalizar…”, “promover campanhas…”).
Não deixe a ação “implícita” dentro da finalidade.
Faça um checklist mental na revisão final: AÇÃO / AGENTE / MEIO / FINALIDADE / DETALHAMENTO.
Outro ponto destacado é o endurecimento com repertório “genérico” (o famoso “repertório de bolso”). A orientação geral já era: repertório precisa ser pertinente, produtivo e contextualizado.
O que aparece na repercussão é que um material complementar teria orientado a leitura conjunta de Competência 2 e 3, fazendo com que repertórios considerados frágeis pudessem “pesar” em mais de uma competência.
Não basta citar autor/obra: é preciso explicar a ideia e ligar ao recorte do tema.
Repertório deve gerar consequência argumentativa: ele precisa “empurrar” seu raciocínio.
Reprodução G1
As matérias destacam relatos de candidatos com histórico de notas altas e queda incomum em 2025, o que aumentou a sensação de instabilidade no processo.
Ao mesmo tempo, o Inep sustenta que não houve mudança de critério e reforça procedimentos de correção (múltiplos avaliadores, mecanismos de equilíbrio).
Nosso ponto pedagógico aqui é simples:
Mudanças podem existir em documentos internos, treinamentos, interpretações e operacionalizações. Mesmo quando o nome da competência não muda, o modo de aplicar a régua pode mudar e é exatamente por isso que transparência e comunicação são tão importantes para quem estuda.
Outro destaque do debate é a comparação entre edições diferentes do ENEM no processo seletivo (2023/2024/2025), o que aumenta a sensação de “concorrência com réguas diferentes” quando há percepção de maior rigor em uma edição.
Aqui na Redação Online, nós já vínhamos alertando que o ENEM está exigindo:
leitura mais precisa do tema,
argumentação mais madura,
repertório menos decorado e mais contextualizado,
proposta de intervenção mais completa e tecnicamente segura.
Mudanças fazem parte do exame. O ponto é que o estudante precisa ser avisado, precisa ser preparado e precisa ter acesso a critérios e orientações com clareza.
O problema não é mudar. O problema é mudar sem orientar previamente, porque isso compromete previsibilidade e confiança no processo.
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Braille: ferramenta essencial para inclusão e cidadania de pessoas com deficiência visual. Tema relevante em vestibulares e no ENEM.
Durante décadas, o Brasil foi definido como um país miscigenado, marcado pela convivência entre diferentes povos e culturas. No entanto, apesar dessa diversidade amplamente reconhecida no discurso social, grande parte da população brasileira desconhece sua própria ancestralidade. Esse distanciamento entre a realidade genética e a memória histórica revela um processo profundo de apagamento das origens africanas e indígenas na formação do país. Uma pesquisa científica inédita, publicada na revista Science e divulgada pelo Jornal Nacional, confirmou que o Brasil é o país mais miscigenado do mundo, reunindo uma complexa combinação de ancestralidades europeias, africanas e indígenas. Ainda assim, relatos pessoais mostram que muitos brasileiros sabem pouco ou quase nada sobre a história de suas famílias, especialmente quando se trata de origens não europeias. Esse desconhecimento não ocorre ao acaso, mas está ligado a um passado marcado por colonização, escravidão e violência, cujas consequências permanecem inscritas tanto na estrutura social quanto no próprio DNA da população. Dessa forma, discutir como o desconhecimento da própria ancestralidade reflete o apagamento histórico da miscigenação no Brasil torna-se fundamental para compreender os impactos da desigualdade racial, da invisibilização de povos originários e da forma como a história oficial foi construída. O tema dialoga diretamente com questões de identidade, memória coletiva, ciência e justiça social, sendo altamente pertinente para redações do ENEM, vestibulares e concursos. Textos motivadores sobre miscigenação no Brasil Texto I — Brasil é o país mais miscigenado do mundo, conclui pesquisa inédita Reprodução jornal nacional Uma pesquisa científica inédita concluiu que o Brasil possui a maior diversidade genética do mundo. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e integrante do projeto DNA do Brasil, analisou o genoma de mais de 2,7 mil pessoas de diferentes regiões, incluindo capitais e comunidades ribeirinhas. Os resultados mostram que a população brasileira é composta, em média, por 60% de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% indígena, com variações regionais significativas. A pesquisa também revelou que a miscigenação brasileira foi marcada por profundas desigualdades históricas. Cerca de 71% da herança genética masculina tem origem europeia, enquanto 77% da herança genética feminina é africana ou indígena, evidenciando relações assimétricas e episódios de violência durante o período colonial. Além disso, os cientistas identificaram mais de 8 milhões de variações genéticas inéditas, muitas delas relacionadas a ancestralidades pouco estudadas, como as africanas e indígenas, tradicionalmente ausentes dos grandes bancos de dados genéticos. Esses dados demonstram que, embora a miscigenação seja uma característica central da formação do Brasil, a história das populações que a compõem foi frequentemente silenciada ou distorcida. Assim, a ciência genética surge não apenas como ferramenta para avanços na saúde, mas também como meio de revelar narrativas históricas apagadas e promover uma reflexão crítica sobre identidade e memória no país. Fonte adaptada: Jornal Nacional. Texto II — Como a miscigenação, a imigração e a violência histórica deixaram marcas no DNA dos brasileiros? Um estudo científico publicado na revista Science e divulgado pela BBC News Brasil revelou que a história da colonização do país não está registrada apenas em livros, mas também no DNA da população atual. A partir do sequenciamento completo do genoma de mais de 2,7 mil brasileiros, pesquisadores identificaram evidências diretas dos fluxos migratórios, da escravidão e das relações desiguais que marcaram os últimos cinco séculos da formação do Brasil. Os dados mostram que a miscigenação brasileira ocorreu de forma profundamente assimétrica. Mais de 70% da herança genética masculina tem origem europeia, enquanto a maior parte da herança genética feminina é africana ou indígena. Esse desequilíbrio evidencia um passado marcado pela violência colonial, pela escravização de povos africanos e pela exploração de mulheres indígenas e negras, cujas histórias foram sistematicamente silenciadas ao longo do tempo. Além disso, o estudo aponta que o Brasil foi palco do maior deslocamento intercontinental de populações da história. Entre os séculos XVI e XIX, cerca de 5 milhões de europeus migraram para o país, enquanto ao menos 5 milhões de africanos foram trazidos à força como pessoas escravizadas. Esse processo resultou em uma diversidade genética inédita, com combinações de ancestralidades que não existem nem mesmo nos continentes de origem. Apesar dessa riqueza genética, muitos brasileiros desconhecem sua própria ancestralidade, especialmente quando ligada a povos africanos e indígenas. Esse desconhecimento não é aleatório, mas consequência de um apagamento histórico promovido por narrativas oficiais que privilegiaram a herança europeia e minimizaram a violência estrutural que sustentou a miscigenação no país. Assim, o DNA brasileiro passa a funcionar como um documento histórico vivo, revelando desigualdades, exclusões e silenciamentos que ainda impactam a construção da identidade nacional. Fonte adaptada: BBC News Brasil TEXTO III Como a miscigenação no Brasil revela um processo histórico marcado por violência, apagamento e ressignificação cultural? Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a identidade brasileira se consolidou a partir de um processo histórico complexo, marcado tanto por violência e imposição quanto por resistência e ressignificação cultural. A miscigenação entre indígenas, africanos e europeus não ocorreu de forma espontânea ou harmoniosa, mas foi atravessada por relações de poder desiguais. Ao longo da colonização, o encontro entre esses grupos foi mediado por dominação territorial, escravidão e exploração. Ainda assim, povos indígenas e africanos resistiram, preservando saberes, tradições e práticas culturais que influenciam profundamente a sociedade brasileira até hoje. Compreender a miscigenação no Brasil, portanto, significa ir além da diversidade étnica. Implica reconhecer os conflitos históricos, os processos de adaptação e as criações culturais que deram origem à formação do povo brasileiro. Nesse contexto, o desconhecimento da própria ancestralidade pode ser entendido como reflexo de um apagamento histórico, especialmente das contribuições indígenas e africanas, frequentemente silenciadas nos registros oficiais e no ensino tradicional da história nacional. Fonte adaptada: jurismenteaberta TEXTO IV – De que forma a arte brasileira revela a miscigenação e as desigualdades sociais invisibilizadas na história do país? Pintada em 1933, a obra Operários, da artista modernista Tarsila do Amaral, é considerada um dos principais retratos do processo de industrialização brasileira, especialmente no estado de São Paulo. A tela apresenta cinquenta e um trabalhadores da indústria, organizados lado a lado,