A valorização do Sistema Braille para a autonomia e a cidadania das pessoas com deficiência visual no Brasil |Tema de redação

A valorização do Sistema Braille tem se consolidado como um debate relevante no contexto brasileiro, sobretudo quando se analisa a garantia da autonomia e da cidadania das pessoas com deficiência visual. Em um país marcado por desigualdades no acesso à educação, à informação e aos direitos básicos, discutir o papel do Braille significa refletir sobre inclusão social, justiça e direitos humanos.
Nesse sentido, vestibulares, concursos públicos e o ENEM tendem a explorar temas que envolvem acessibilidade, inclusão e cidadania, frequentemente associados às pessoas com deficiência. O Sistema Braille, enquanto tecnologia social e linguística, torna-se um repertório estratégico para a construção de argumentos sólidos, permitindo discutir tanto avanços quanto desafios na efetivação de políticas inclusivas no Brasil.
A partir dessa perspectiva, os textos motivadores a seguir ajudam a contextualizar o tema e a fundamentar reflexões críticas sobre a importância do Braille como instrumento de emancipação social.
Textos motivadores sobre a importância do Sistema Braille
Texto I – Por que o Sistema Braille é essencial para a cidadania das pessoas com deficiência visual?
O Dia Mundial do Braille é celebrado em 4 de janeiro, data de nascimento de Louis Braille, em 1809. O educador francês perdeu a visão ainda na infância e, na adolescência, desenvolveu o método de leitura e escrita tátil conhecido como Sistema Braille, revolucionando o acesso à informação para pessoas cegas e com baixa visão.
O sistema é composto por seis pontos em relevo, organizados em duas colunas verticais, cuja combinação possibilita a formação de 63 símbolos diferentes. Por meio deles, é possível representar letras, números, sinais de pontuação, símbolos matemáticos, notação musical e outros elementos essenciais à comunicação escrita.
Mais do que um código de leitura, o Braille é um instrumento de cidadania, pois garante às pessoas com deficiência visual o direito à educação, à informação e à participação social de forma autônoma. A data comemorativa tem como principal objetivo ampliar a conscientização sobre a importância do Braille para a plena realização dos direitos humanos, especialmente no que se refere à inclusão educacional e social.
Relatos como o de João Eudes, servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, evidenciam essa relevância. Alfabetizado em Braille, ele afirma que compreende os conteúdos com mais profundidade quando realiza a leitura tátil, em comparação ao acesso exclusivamente oral. Tal experiência reforça o papel do sistema como meio fundamental de aprendizado e independência.
Ao valorizar o Sistema Braille, instituições públicas reconhecem que o respeito à diversidade e à acessibilidade constitui base essencial para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Fonte adaptada: NUICS – Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Texto II – Como as políticas públicas fortalecem o Sistema Braille e a educação inclusiva no Brasil?

No Dia Nacional do Sistema Braille, celebrado em 8 de abril, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) reafirmou o compromisso do Estado brasileiro com a educação inclusiva e com a garantia dos direitos das pessoas com deficiência visual. As ações fazem parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Novo Viver sem Limite, que articula políticas educacionais, tecnológicas e de acessibilidade em todo o país.
Segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na PNAD Contínua – Pessoas com Deficiência (2022), o Brasil possui cerca de 338 mil pessoas cegas com dois anos ou mais de idade, o que evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à democratização do acesso à leitura, à informação e à escolarização.
Entre as principais ações desenvolvidas pelo governo federal, destaca-se a distribuição de 72 mil livros em braille, beneficiando aproximadamente 12 mil estudantes cegos, por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Em 2025, o atendimento prioriza estudantes do ensino fundamental, garantindo materiais em Braille tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais da escolarização básica.
Além disso, o plano prevê a criação de 28 laboratórios de tecnologia assistiva em instituições de ensino e pesquisa em todas as regiões do Brasil. Um exemplo é o projeto 3DucAssist, desenvolvido na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que produz protótipos didáticos em 3D com texturas táteis, alto contraste e informações em braille, testados diretamente por pessoas cegas. A iniciativa evidencia o papel da inovação tecnológica na ampliação da autonomia educacional.
O fortalecimento do Sistema Braille também é impulsionado por instituições históricas, como o Instituto Benjamin Constant (IBC), referência nacional no atendimento a pessoas com deficiência visual. A Divisão de Imprensa Braille do instituto é responsável pela produção e distribuição de materiais didáticos, acadêmicos e literários em Braille, com base na legislação brasileira que assegura o direito à acessibilidade cultural e educacional.
Em 2025, o Sistema Braille completa 200 anos, reafirmando sua importância como ferramenta de emancipação social. Desenvolvido por Louis Braille no século XIX, o método foi introduzido no Brasil por José Álvares de Azevedo, responsável por apresentar o sistema ao imperador Dom Pedro II e contribuir para a criação do Imperial Instituto de Meninos Cegos, atual IBC.
Dessa forma, a valorização do Sistema Braille ultrapassa o campo da acessibilidade técnica e se consolida como um instrumento essencial para a cidadania, a igualdade educacional e a efetivação dos direitos humanos das pessoas com deficiência visual no Brasil.
Fonte adaptada:
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Texto III – Por que o Sistema Braille é fundamental para garantir autonomia, educação e cidadania às pessoas cegas no Brasil?
O Sistema Braille, formado por caracteres em relevo que permitem a leitura pelo tato, foi reconhecido como um instrumento central para a autonomia das pessoas cegas e com deficiência visual durante uma sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em alusão ao Dia Nacional do Braille, celebrado em 8 de abril.
Durante o evento, parlamentares, gestores públicos, educadores e representantes da sociedade civil reforçaram que o acesso ao Braille não se limita à alfabetização, mas representa um direito humano fundamental, diretamente relacionado à inclusão social, ao acesso à educação e à participação cidadã. Dados apresentados com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 5,5% da população do Distrito Federal possui algum tipo de deficiência, sendo que quase 8% desse grupo apresenta comprometimentos severos da visão ou cegueira, o que evidencia a relevância de políticas públicas permanentes voltadas à acessibilidade.
Um dos principais destaques da solenidade foi a Biblioteca Braille Dorina Nowill, única do Distrito Federal, criada em 1995 e localizada no Espaço Cultural de Taguatinga. O equipamento público abriga um acervo de aproximadamente dois mil livros em Braille e é reconhecido como um referencial de inclusão social por meio da literatura, atendendo pessoas cegas, com baixa visão e escritores com deficiência visual. Segundo sua fundadora, Dinorá Couto Cançado, a biblioteca tornou-se um exemplo internacional ao possibilitar que obras produzidas por pessoas cegas circulem em mais de 20 países, por meio da Rede Sem Fronteiras.
Relatos apresentados durante a sessão reforçaram o papel do Braille como ferramenta de emancipação intelectual. A mobilizadora cultural Noeme Rocha destacou que a alfabetização em Braille foi decisiva para sua formação acadêmica e profissional, permitindo-lhe cursar diversas graduações. Segundo ela, “o Braille garante o acesso ao conhecimento; sem ele, a cidadania plena é inviabilizada”.
O debate também enfatizou a importância da educação inclusiva, citando o trabalho do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais do Distrito Federal (CEEDV), instituição que atende há mais de três décadas crianças, jovens e adultos cegos ou com baixa visão. O centro é responsável pela formação de estudantes que, posteriormente, tornam-se professores e servidores públicos, demonstrando o impacto direto do Braille na mobilidade social e no exercício profissional.
Do ponto de vista histórico, a valorização do Sistema Braille está associada à trajetória de José Álvares de Azevedo, primeiro professor cego do Brasil, responsável por introduzir o método no país no século XIX, e de Louis Braille, criador do sistema entre 1824 e 1825. O reconhecimento internacional dessa tecnologia assistiva é evidenciado pelo fato de a Organização das Nações Unidas (ONU) instituir o Dia Mundial do Braille, em 4 de janeiro, data de nascimento de Louis Braille.
Dessa forma, o fortalecimento do Sistema Braille no Brasil revela-se essencial não apenas como estratégia educacional, mas como um mecanismo de garantia de direitos humanos, assegurando às pessoas com deficiência visual o direito à leitura, à educação, à autonomia e à participação plena na vida social.
Fonte adaptada:
Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Texto IV – Como o Sistema Braille, ao completar 200 anos, contribui para a inclusão, a autonomia e a cidadania das pessoas com deficiência visual?

A escrita noturna utilizava pontos em relevo que eram lidos pelo tato. Ela tinha como princípio a transcrição de pequenas unidades de som, os chamados fonemas, em um padrão de pontos em relevo. Na imagem, vemos o Sistema Barbier na língua francesa. Crédito: Cristinacubellsperez/ Wikipedia Commons
O Sistema Braille, código de escrita e leitura táteis baseado em seis pontos em relevo, completa 200 anos como uma das tecnologias assistivas mais importantes da história da inclusão. Criado no século XIX, o método permite a combinação de 63 símbolos, capazes de representar letras, números, sinais de pontuação, símbolos matemáticos e musicais, garantindo o acesso pleno à leitura e à escrita por pessoas cegas e com baixa visão.
O sistema foi desenvolvido por Louis Braille, nascido na França em 1809, que perdeu a visão ainda na infância após um acidente. Mesmo diante das limitações impostas pela sociedade da época, Louis demonstrou extraordinária capacidade intelectual e, aos 15 anos, apresentou a primeira versão do código que revolucionaria a alfabetização de pessoas cegas em todo o mundo.
A criação do Braille teve como inspiração a chamada “escrita noturna”, desenvolvida por Charles Barbier para uso militar. No entanto, ao simplificar o sistema para apenas seis pontos em uma estrutura 2×3, Louis Braille tornou a leitura tátil mais rápida, funcional e adequada ao uso cotidiano, o que explica a permanência desse modelo até os dias atuais.
A consolidação do Sistema Braille ocorreu gradualmente. Em 1829, Louis publicou o primeiro livro explicando o método, e em 1837 o código foi sistematizado em sua forma definitiva. A aceitação oficial aconteceu em 1843, em Paris, permitindo a impressão de livros em Braille pelo Instituto Real de Jovens Cegos. Poucos anos depois, o sistema começou a se difundir pela Europa e, entre 1860 e 1880, já era amplamente utilizado no continente.
No Brasil, a história do Braille está diretamente ligada à atuação de José Álvares de Azevedo, responsável por introduzir o método no país no século XIX. Em 1854, foi publicada a primeira obra em Braille em língua portuguesa, marco fundamental para a educação inclusiva brasileira e para a criação do Imperial Instituto de Meninos Cegos, atual Instituto Benjamin Constant. Por esse motivo, José Álvares de Azevedo é reconhecido como o Patrono da Educação de Cegos no Brasil.
Atualmente, mesmo com o avanço de tecnologias digitais e recursos de áudio, o Sistema Braille permanece indispensável para a autonomia intelectual, pois possibilita que pessoas cegas desenvolvam habilidades de leitura crítica, escrita, organização textual e interpretação, competências essenciais para a educação formal, o mercado de trabalho e o exercício pleno da cidadania.
O reconhecimento internacional da importância do Braille se reflete na criação do Dia Mundial do Braille, celebrado em 4 de janeiro, data de nascimento de Louis Braille, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018. Já no Brasil, o Dia Nacional do Braille, comemorado em 8 de abril, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à acessibilidade, à educação inclusiva e à garantia de direitos das pessoas com deficiência visual.
Assim, ao completar dois séculos, o Sistema Braille reafirma seu papel não apenas como um código de leitura e escrita, mas como um instrumento de justiça social, inclusão educacional e promoção da cidadania, alinhado aos princípios dos Direitos Humanos e da dignidade da pessoa humana.
Fonte adaptada:
Fiocruz – Invivo.
Quais repertórios comprovam a importância do Sistema Braille para a autonomia e a cidadania das pessoas com deficiência visual no Brasil?
Quais filmes comprovam a relevância do Sistema Braille para a autonomia das pessoas cegas?
Black (2005): retrata o processo de alfabetização de uma jovem cega e surda, evidenciando como o acesso a sistemas estruturados de linguagem é fundamental para a construção da autonomia intelectual e da cidadania.
Ray (2004): ao narrar a trajetória de Ray Charles, o filme evidencia como a alfabetização e o acesso à linguagem escrita foram determinantes para sua independência, formação cultural e reconhecimento social.
Touch the Sound (2004): documentário que explora a percepção tátil como forma legítima de leitura do mundo, dialogando diretamente com o princípio do braille como linguagem e não apenas adaptação
Quais fatos históricos comprovam a negligência estrutural e a resistência em torno do Sistema Braille?
criação do Sistema Braille no século XIX como resposta à exclusão educacional de pessoas cegas.
introdução tardia e desigual do braille no Brasil, durante décadas restrita a poucas instituições especializadas.
reconhecimento recente do Dia Mundial do Braille pela ONU, revelando que sua valorização como direito humano é historicamente tardia.
comemoração dos 200 anos do Sistema Braille em 2025, contrastando com a persistência da escassez de materiais em braille no sistema educacional brasileiro.
Quais legislações comprovam que o Sistema Braille é instrumento de cidadania?
Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015): assegura o direito à comunicação acessível e à educação inclusiva, reconhecendo o braille como meio fundamental para o exercício da cidadania.
Argumentos para usar na redação sobre o tema
Argumento 1 – negligência governamental na universalização do acesso ao braille
Causa: apesar do reconhecimento legal do Sistema Braille, a produção e a distribuição de materiais em braille ainda são insuficientes em muitas redes públicas de ensino e bibliotecas.
Consequência: pessoas com deficiência visual enfrentam barreiras educacionais persistentes, o que compromete sua formação escolar, acesso ao mercado de trabalho e exercício pleno da cidadania.
Possível solução: ampliação de políticas públicas específicas, com financiamento contínuo para produção de livros em braille, fortalecimento de instituições especializadas e monitoramento da implementação das leis de acessibilidade.
Argumento 2 – fragilidade da formação docente para o ensino inclusivo
Causa: a formação inicial e continuada de professores ainda dedica pouco espaço ao ensino do braille e às práticas pedagógicas voltadas à deficiência visual.
Consequência: estudantes cegos ou com baixa visão dependem de iniciativas isoladas, o que gera desigualdade no processo de aprendizagem e exclusão simbólica dentro da escola.
Possível solução: inclusão obrigatória de conteúdos sobre braille e educação inclusiva nos cursos de licenciatura e programas permanentes de capacitação docente.
Conclusão
Diante disso, a valorização do Sistema Braille revela-se condição indispensável para a garantia da autonomia e da cidadania das pessoas com deficiência visual no Brasil. Embora haja avanços legais e históricos, persistem entraves estruturais, como a negligência estatal, a formação docente insuficiente e a desvalorização social do braille. Superar esses desafios exige políticas públicas efetivas, educação inclusiva consistente e reconhecimento do braille como direito, não como concessão.
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