A adultização infantil é o termo usado para se referir a uma criança que vive a aceleração das fases da vida e é estimulada de forma inadequada a fazer “coisas de adulto”. Trata-se de uma problemática que tem aumentado em nossa sociedade, uma vez que elas não vivem uma etapa da vida fundamental ao desenvolvimento humano: a infância.
Leia os textos motivadores a seguir e, com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Crianças sem infância: o aumento da adultização infantil”.
Após ler os textos motivadores, confira também os repertórios socioculturais que listamos sobre o tema!
O termo adultização infantil é novo para você? Salão de beleza, roupas da moda, atividades que preenchem o dia inteiro e experiências destoantes fazem parte deste processo de aceleração da infância e pré-adolescência. Neste cenário, as crianças são estimuladas a comportamentos que não condizem com sua idade, ocupando-se de uma rotina de responsabilidades antecipadas e que desconsidera marcos importantes para o seu crescimento.
Esse período é etapa essencial para que os pequenos adquiram concepções psicológicas e morais que vão acompanhá-los para o resto da vida, o que faz do amadurecimento precoce algo tão nocivo à essência desse ser humano em formação. Segundo a psicóloga Monique Luz, “trazer o universo adulto para a criança, sem que haja a maturidade emocional para entender o que está acontecendo, faz com que ela fique vulnerável a qualquer tipo de informação recebida”.
É um contexto em que a distorção no entendimento das informações oferecidas pode ser carregada a vida toda. “Estruturar personalidades de maneira forçada faz a pessoa perder suas capacidades e não permite uma vida saudável. Sem brinquedos, sem espaços lúdicos, interrompe-se o desenvolvimento”, explica o psiquiatra Rimon Roseck Hauli.
Cada criança tem necessidades específicas de acordo com o momento da infância que está vivenciando. Além disso, é importante considerar que indivíduos diferentes em desenvolvimento também requerem atenção e cuidados igualmente distintos. Por outro lado, existe um consenso sobre o que é tarefa obrigatória nessa fase vida: brincar. É nessa atividade que se descobre a convivência com outras pessoas, entende-se a autonomia e estimula-se a imaginação.
O processo de adultização prejudica todas essas instâncias. “Ocorre afastamento de exercícios essenciais para a evolução de relações afetivas, processos cognitivos, habilidades motoras e de linguagem”, afirma o psicólogo Helison Fernando de Brito. Segundo o profissional, as consequências dessas limitações apontam para a dificuldade de socialização, o aumento do estresse familiar, de hábitos de consumo inadequados e do sedentarismo, a erotização precoce e a baixa autoestima.
Brito destaca que a ausência de respeito à infância e suas especificidades pode acarretar diversos fatores negativos ao longo da vida, conduzindo a transtornos depressivos, de ansiedade, sentimentos de inadequação, relacionados a traumas e estresses. “Podemos acrescentar que o maior determinante de nossos comportamentos são as relações que estabelecemos com o ambiente, em especial as construídas dentro da família”, diz.
Fonte: Portal UOL
“[…] A psicóloga Adriana Grosse explicou que na década passada as crianças ocupavam um lugar diferenciado nas famílias, não participavam das conversas dos adultos e nunca podiam opinar. “Quase sempre estavam com outras crianças, tinham pouco convívio com os adultos e, quando tinham, sabiam o seu lugar de criança. Não era dado um espaço para elas argumentarem e nem ao menos mostrar seus desejos e vontades, reprimindo sua criatividade. Porém, hoje estamos ao extremo, no qual nossas crianças podem muito e são confundidas com ‘adultos mirins’. Antes não podiam nada e hoje podem quase tudo, pulando fases iniciais para o seu desenvolvimento psíquico”, disse a especialista. […]”
Fonte: Folha do Litoral
Você viu nos textos motivadores que a adultização infantil traz muitos riscos às crianças e se manifesta por conta da influência da cultura de consumo, da mídia e até mesmo do uso precoce das tecnologias. Por se tratar de um fenômeno que afeta uma fase importante de desenvolvimento, é importante pensarmos em soluções para garantir que as crianças vivam cada fase como deve ser.
Assim, para ajudar você a desenvolver uma redação sobre esse tema, listamos a seguir alguns repertórios socioculturais. Confira!
Neste vídeo do Canal Criar e Crescer, o pediatra Daniel Becker fala sobre o fenômeno da adultização infantil, as influências e como pode afetar negativamente a vida das crianças no presente e, principalmente, no futuro.
Além disso, ele fala sobre a importância de brincar para desenvolver habilidades fundamentais ao ser humano. Confira:
O documentário “Criança, a Alma do Negócio” (2008), da cineasta Estela Renner, investiga como a publicidade e as mídias afetam as crianças e aponta que elas são as principais influentes na decisão de compra dentro de casa.
O filme entrevista pais e especialistas para debater sobre os efeitos negativos da exposição às propagandas, como a escolha de produtos não saudáveis e de produtos que contribuem para a adultização infantil.
Assista o documentário completo no Youtube:
O filme “Pequena Miss Sunshine” (2006) conta a história de uma família de classe média que vai viajar com o objetivo de levar a caçula Olive para participar de um concurso de beleza infantil. Diferente de Olive, as meninas do concurso estão vestidas como “pequenas mulheres” e não como meninas.
O filme aborda como desde cedo as meninas são afetadas pelos padrões de beleza inalcançáveis e a outro fenômeno que anda junto ao nosso tema: a erotização infantil.
Assista o trailer a seguir:
Desde 1959, a ONU por meio da Declaração Universal dos Direitos da Criança reconhece que brincar é um direito fundamental para o desenvolvimento infantil. Esse direito também foi fortalecido pela Convenção dos Direitos da Criança de 1989 e também está presente no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).
Saiba mais neste artigo.
Esperamos que estes repertórios ajudem você a refletir e escrever sobre o aumento da adultização infantil. Mas lembre-se de não se limitar a eles, combinado? Existem muitos outros filmes, livros e até mesmo propagandas que podem ser usadas como repertórios socioculturais. Use a criatividade!
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