
As escolhas de palavras na redação impactam fortemente o conteúdo. Portanto, neste artigo, mostraremos palavras a evitar na redação, em nome do respeito, e termos inadequados.
Atualmente, o termo “índio” para referir-se aos nativos brasileiros não é mais apropriado. A linguagem evolui com o tempo, e expressões antes aceitáveis podem se tornar ofensivas conforme a sociedade e sensibilidades mudam.
Nosso objetivo é auxiliar na substituição de expressões que podem ser consideradas desrespeitosas ou ofensivas na redação.
Então, vamos iniciar esta jornada.
É melhor enfatizar a pessoa e não a deficiência, concorda? Trata-se de uma pessoa antes de ser definida por sua deficiência. Isso demonstra respeito pela individualidade e humanidade da pessoa.
Por exemplo, não use “ceguinho”, “surdinho”, “surdo mudo”, “criança excepcional” (para designar uma Síndrome de Down), “doente mental”, “doente de lepra”.
Prefira
A palavra índio deriva do engano de Cristóvão Colombo: ele achava que tinha encontrado as Índias, na sua viagem de 1492. Assim, a palavra foi utilizada para designar uma infinidade de grupos indígenas.
Se você não sabe, os indígenas são bem diferentes entre si – o Instituto Socioambiental (ISA) identificou cerca de 305 etnias indígenas diferentes em 2021!
Então, o termo “indígena” em vez de “índio” indica mais respeito à autoidentificação e valorização da diversidade cultural dos povos indígenas.
Aqui há uma mudança na forma de abordar e se referir às pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade.
Ao escrever “pessoa em situação de rua” você está reconhecendo que a condição de estar sem moradia é temporária e não define a identidade da pessoa. Assim você respeita a dignidade e a individualidade dela, reconhecendo que é um ser humano com direitos como qualquer outro.
A expressão “velho” pode ser depreciativa ou pejorativa, isto é, focando mais na idade cronológica do que na própria pessoa.
Esta substituição indica uma abordagem mais respeitosa, positiva e inclusiva ao se referir a pessoas mais velhas. A palavra “idoso” demonstra consideração pela dignidade das pessoas na terceira idade.
A expressão “velho” pode ser depreciativa ou pejorativa, focando mais na idade cronológica do que na própria pessoa.
“Americano” é um termo que inclui todos os que vivem nas Américas, por isso “estadunidense” está sendo preferido para se referir aos moradores dos EUA.
“Norte-americano” cria um problema semelhante, já que canadenses e mexicanos são tão norte-americanos quanto a população dos EUA – evite-o.
Esta é uma sugestão recente do TSE. A ideia é desvincular o termo “negro” de qualquer conotação negativa. Mas continue usando “negro” ao se referir à etnia que tem pele escura.
O uso do sufixo “ismo”, comum em termos de doenças como “astigmatismo”, “botulismo”, “alcoolismo”, etc., constitui o problema. Desde 1999, o Brasil não considera mais a homossexualidade uma doença.
Então use “homossexualidade” ou mesmo “gay”, se for o caso.
“Orientação sexual” é ideal, pois se baseia na ideia de que a atração por pessoas do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos os sexos é uma característica inata e não uma escolha.
E o fato é que muitas pesquisas científicas apontam para a origem biológica e genética da orientação sexual, portanto não seria mesmo uma escolha.
Desse modo, o uso do termo “opção sexual” implica, de forma incorreta, uma escolha da orientação sexual da pessoa, algo que a evidência científica não apoia.
O termo “aidético” pode carregar um estigma negativo e perpetuar estereótipos prejudiciais em relação às pessoas vivendo com a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
Usar “soropositivo” é mais respeitoso e ajuda a combater o estigma associado à infecção por HIV.
Além disso, Soropositivo” descreve precisamente o estado de um portador do HIV, indicando a detecção do vírus nos testes de sorologia, mas não implica necessariamente o desenvolvimento da AIDS. Já o termo “aidético” implica o desenvolvimento da doença, ou seja, o que nem sempre acontece.
O termo “prostituta” muitas vezes carrega conotações negativas e estigmatizantes que podem contribuir para a discriminação e a marginalização das pessoas que trabalham na indústria do sexo.
O termo “profissional do sexo” reconhece adequadamente que pessoas escolhem ou são forçadas a entrar na indústria do sexo por circunstâncias complexas, isto é, sem presumir que todas na indústria são vítimas.
Usar “profissional do sexo” também confere dignidade às pessoas que escolheram essa profissão, como também destaca que têm todos os direitos de qualquer outra.
Esta substituição recente ainda está em processo de assimilação. Por que dizemos “mãe solteira” e não “pai solteiro”?!
Ser solteira ou casada não muda em nada a condição de uma mãe!
Geralmente, percebe-se que o termo “mãe solteira” provoca uma sensação de “pena”, como se ela tivesse sido abandonada, refletindo formas antigas de pensar.
Você também pode preferir escrever “usuário de droga” em vez de “drogado”. Infelizmente “drogado” carrega um forte preconceito e transforma todos os envolvidos em vícios químicos em criminosos – esse é o problema.
A questão é que “grupo de risco” dá a ideia de que existem pessoas que tiveram o azar de passarem por doenças.
Como isso não corresponde sempre à realidade, é melhor usar o termo “vulnerável” ou ainda “pessoas com comportamento de risco”.
Nem todos concordam com essa substituição, já que favelas têm sua cultura, sua história, e é um termo que até poetas adotam. E, por outro lado, comunidades não são apenas as favelas!
Mas é verdade também que o termo favela carrega uma ideia de marginalização – uma ideia negativa, por isso é aconselhável evitar.
Por fim, fique atento ao impacto que essas palavras têm sobre quem já passa por exclusão social normalmente. O que é politicamente correto é bastante questionado, mas o que importa mesmo é entender que as palavras têm poder – tenha cuidado com elas! A melhor forma de saber os termos para evitar na redação é perguntar para quem entende!
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