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    A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos no Brasil | Tema de redação

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    A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos envolve moradia precária, áreas de risco, falta de saneamento, baixa renda e dificuldade de recuperação após desastres. O tema permite discutir justiça climática, planejamento urbano, defesa civil, habitação social e políticas públicas de prevenção e socorro humanitário.

    Por Nathalia Souza
    24 de agosto de 2026
    15 min de leitura
    Estudante observa bairro periférico alagado e cidade protegida, representando pobreza e eventos climáticos extremos
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    1. Proposta de redação
    2. Textos motivadores sobre pobreza e eventos climáticos extremos
    3. TEXTO I - Nova lei garante recursos para socorro emergencial
    4. TEXTO II - Municípios brasileiros vivem alta exposição a riscos
    5. TEXTO III - Nove em cada dez cidades já enfrentaram desastres climáticos
    6. TEXTO IV - Choques climáticos podem empurrar brasileiros para a extrema pobreza
    7. TEXTO V - Pobreza aumenta exposição e dificulta recuperação
    8. Quais repertórios usar?
    9. Fatos históricos atualizados
    10. Produções teóricas atualizadas
    11. Produções culturais atualizadas
    12. Quais argumentos usar?
    13. Argumento 1 - A segregação urbana empurra pobres para áreas de risco
    14. Argumento 2 - A falta de infraestrutura transforma evento extremo em desastre social
    15. Argumento 3 - A recuperação pós-desastre é desigual
    16. Argumento 4 - A prevenção ainda recebe menos atenção que a resposta emergencial
    17. Como começar uma redação sobre esse tema?
    18. Modelo de introdução com repertório jurídico atual
    19. Modelo de introdução com repertório teórico
    20. Como desenvolver esse tema?
    21. Desenvolvimento 1 - exposição desigual ao risco
    22. Desenvolvimento 2 - recuperação desigual após o desastre
    23. Como fazer uma proposta de intervenção?
    24. Conclusão

    A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos é um tema forte para redações porque une meio ambiente, desigualdade social, moradia, saúde pública, saneamento, direito à cidade e responsabilidade do Estado. Enchentes, secas, deslizamentos, ondas de calor e queimadas não atingem todos da mesma forma: quem vive em moradias precárias, áreas de risco ou territórios com poucos serviços públicos costuma perder mais e se recuperar com mais dificuldade.

    No Brasil, esse debate ganhou um recorte recente com a Lei nº 15.488/2026, que destinou R$ 305 milhões para ações emergenciais de socorro, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais a vítimas de desastres climáticos. A existência da lei mostra que a resposta imediata é necessária, mas também revela uma pergunta central para a redação: por que parte da população chega aos desastres em condição tão desigual?

    Por isso, o tema a vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos permite discutir justiça climática, segregação socioespacial, ausência de prevenção, racismo ambiental, defesa civil, saneamento básico, moradia digna e políticas públicas de adaptação.

    TREINE ESSE TEMA

    Proposta de redação

    A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema:

    A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos

    Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

    Textos motivadores sobre pobreza e eventos climáticos extremos

    TEXTO I - Nova lei garante recursos para socorro emergencial

    Em agosto de 2026, entrou em vigor a Lei nº 15.488/2026, que destina R$ 305 milhões ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Segundo a Agência Senado, os recursos devem financiar ações emergenciais de socorro a vítimas de desastres naturais, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais.

    Esse recorte é útil para a redação porque mostra que o enfrentamento dos desastres climáticos envolve ação estatal concreta. No entanto, ele também permite problematizar a diferença entre socorro emergencial e prevenção: ajudar depois da tragédia é indispensável, mas reduzir a exposição de populações pobres antes do desastre é ainda mais estratégico.

    Fonte: Agência Senado - Lei confirma MP de socorro emergencial a vítimas de desastres climáticos.

    TEXTO II - Municípios brasileiros vivem alta exposição a riscos

    O Cemaden Educação divulgou nota técnica sobre a identificação de 1.942 municípios brasileiros mais suscetíveis à ocorrência de deslizamentos, enxurradas e inundações, para orientar prioridades da União em gestão de risco e desastres naturais.

    Na redação, esse dado ajuda a mostrar que o problema não é isolado nem imprevisível. Se há mapeamento de territórios vulneráveis, o debate precisa envolver prevenção, planejamento urbano, reassentamento seguro, obras de drenagem, alertas antecipados e proteção social para quem mora nas áreas mais expostas.

    Fonte: Cemaden Educação - Nota Técnica nº 1/2023/SADJ-VI/SAM/CC/PR.

    PRATIQUE ESSE TEXTO MOTIVADOR

    TEXTO III - Nove em cada dez cidades já enfrentaram desastres climáticos

    Reportagem da Agência FAPESP sobre estudo de pesquisadores do Cemaden, USP e Inpe informa que 91,5% dos municípios brasileiros registraram ao menos um desastre relacionado a inundação, alagamento, enxurrada, deslizamento, tempestade ou seca entre 1991 e 2024. O levantamento analisou quase 60 mil registros no período.

    O dado reforça que os eventos extremos fazem parte da realidade brasileira e exigem políticas permanentes. Para populações pobres, os impactos tendem a ser maiores porque moradia inadequada, renda baixa, falta de seguro, transporte precário e ausência de saneamento dificultam tanto a proteção quanto a recuperação.

    Fonte: Agência FAPESP - Nove em cada dez cidades brasileiras já enfrentaram desastres climáticos nas últimas três décadas.

    TEXTO IV - Choques climáticos podem empurrar brasileiros para a extrema pobreza

    O Banco Mundial, no Relatório sobre Clima e Desenvolvimento para o Brasil, estima que choques climáticos podem levar de 800 mil a 3 milhões de brasileiros adicionais à pobreza extrema a partir de 2030. A instituição relaciona esse risco a perdas agrícolas, eventos extremos, aumento de preços de alimentos, impactos na saúde e queda de produtividade causada pelo calor.

    Esse texto motivador é importante porque mostra que a crise climática não é apenas ambiental. Ela também é econômica e social, pois pode reduzir renda, destruir bens, prejudicar a saúde e aprofundar desigualdades já existentes.

    Fonte: Banco Mundial - Brasil: Relatório sobre Clima e Desenvolvimento para o País.

    TEXTO V - Pobreza aumenta exposição e dificulta recuperação

    O Ipea, ao apresentar a meta 1.5 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, destaca a necessidade de construir resiliência dos pobres e das pessoas em situação de vulnerabilidade, reduzindo sua exposição a eventos extremos relacionados ao clima e a outros choques sociais, econômicos e ambientais.

    Esse recorte ajuda a defender que vulnerabilidade não é apenas estar em uma área atingida. Ela envolve a chance de sofrer danos e a capacidade de se recuperar. Uma família com moradia segura, poupança, seguro, transporte e acesso a serviços públicos atravessa uma crise de maneira muito diferente de uma família que perde tudo em uma enchente.

    Fonte: Ipea - ODS 1: Erradicação da Pobreza.

    Quais repertórios usar?

    Para escrever sobre populações pobres e eventos climáticos extremos, vale combinar fatos históricos, produções teóricas e produções culturais. O objetivo é mostrar que o desastre não nasce apenas da chuva, da seca ou do calor: ele se torna tragédia quando encontra desigualdade, falta de infraestrutura e baixa capacidade de resposta.

    Fatos históricos atualizados

    🏛️ Constituição Federal de 1988 e direito à moradia

    A Constituição Federal reconhece direitos sociais como moradia, saúde, assistência aos desamparados e segurança. Esse repertório permite defender que proteger populações pobres diante de eventos extremos não é favor estatal, mas obrigação ligada à dignidade humana e à cidadania.

    🏛️ Estatuto da Cidade - Lei nº 10.257/2001

    O Estatuto da Cidade orienta a política urbana brasileira e fortalece instrumentos de planejamento, função social da propriedade e gestão democrática das cidades. Ele é útil para argumentar que a ocupação de áreas de risco não pode ser explicada apenas por escolha individual: muitas vezes, é resultado de exclusão urbana e falta de moradia acessível.

    🏛️ Tragédia de São Sebastião - 2023

    As chuvas intensas no litoral norte de São Paulo, em 2023, provocaram mortes, deslizamentos e destruição de moradias, especialmente em áreas vulneráveis. Como repertório, o caso mostra a relação entre turismo, desigualdade territorial, ocupação precária e dificuldade de resposta em regiões de encosta.

    🏛️ Enchentes no Rio Grande do Sul - 2024

    As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul afetaram milhões de pessoas e expuseram a fragilidade de infraestrutura, moradia, logística, saneamento e proteção social diante de chuvas extremas. O caso pode ser usado para discutir reconstrução, prevenção e adaptação climática.

    🏛️ Lei nº 15.488/2026

    A Lei nº 15.488/2026 é um repertório atual e direto. Ela mostra que o Estado precisou direcionar recursos extraordinários para socorro, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais. Na redação, o cuidado é usar a lei como ponto de partida para discutir por que políticas de emergência precisam caminhar junto com prevenção e redução de desigualdades.

    Produções teóricas atualizadas

    📚 Milton Santos - A urbanização brasileira

    Milton Santos ajuda a analisar a cidade como espaço desigual, marcado por segregação e acesso seletivo a infraestrutura. Esse repertório é forte para explicar por que populações pobres acabam empurradas para periferias, encostas, margens de rios e áreas com menos proteção urbana.

    📚 Ulrich Beck - Sociedade de risco

    Ulrich Beck discute como a modernidade produz riscos que atingem a sociedade de forma ampla, mas não igualmente distribuída. Na redação, essa ideia permite argumentar que eventos climáticos extremos são riscos coletivos, porém seus danos são concentrados em grupos com menor renda e menor proteção institucional.

    📚 IPCC - Relatório de Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade

    O IPCC afirma que a vulnerabilidade às mudanças climáticas está relacionada a fatores como renda, raça, gênero, território, infraestrutura e capacidade de adaptação. Esse repertório dá base científica para discutir justiça climática e mostrar que pobreza amplifica os efeitos de enchentes, secas, ondas de calor e deslizamentos.

    📚 Justiça climática

    O conceito de justiça climática parte da ideia de que os grupos que menos contribuíram para a crise climática frequentemente são os que mais sofrem seus impactos. Na redação, ele ajuda a defender políticas que priorizem populações vulneráveis, adaptação territorial, financiamento público e reparação de desigualdades.

    PRATIQUE COM ESSE REPERTÓRIO

    Produções culturais atualizadas

    🎬 Extrapolations

    A série Extrapolations, lançada em 2023, imagina diferentes impactos sociais, econômicos e políticos da crise climática ao longo do século XXI. Ela pode ser usada para discutir como aquecimento global, escassez de recursos e eventos extremos afetam de modo desigual grupos sociais e territórios.

    🎬 Não Olhe para Cima

    O filme Não Olhe para Cima apresenta uma sátira sobre negacionismo, interesses econômicos e incapacidade política diante de uma ameaça anunciada. Embora trate de um cometa, funciona como repertório para discutir a demora em agir diante de alertas científicos sobre a crise climática.

    🎬 O Amanhã é Hoje

    O documentário brasileiro O Amanhã é Hoje reúne histórias de pessoas já impactadas pelas mudanças climáticas no país. A produção é útil para mostrar que a crise climática não é um problema distante: ela já aparece em enchentes, secas, perdas materiais e deslocamentos de famílias.

    🎬 Wall-E

    A animação Wall-E apresenta um planeta degradado pelo consumo e pelo descarte. Mesmo sendo uma obra mais antiga, pode ser usada para discutir negligência ambiental, responsabilidade coletiva e consequências de longo prazo da relação predatória com a natureza.

    Quais argumentos usar?

    Os melhores argumentos mostram que populações pobres são mais vulneráveis porque estão mais expostas ao risco, têm menos infraestrutura de proteção e contam com menos recursos para reconstruir a vida depois do desastre. A redação deve evitar tratar o clima como único culpado: o centro do problema é a desigualdade.

    Argumento 1 - A segregação urbana empurra pobres para áreas de risco

    Um argumento forte é mostrar que muitas famílias de baixa renda vivem em encostas, margens de rios, áreas sem drenagem adequada ou regiões distantes dos centros urbanos porque não têm acesso a moradia segura e acessível.

    Causa:

    A desigualdade habitacional e a especulação imobiliária tornam a cidade formal inacessível para parte da população.

    Consequência:

    Quando ocorrem chuvas intensas, enchentes ou deslizamentos, essas famílias sofrem perdas materiais, deslocamento forçado, interrupção de estudos e trabalho e maior risco à vida.

    Solução:

    O poder público deve ampliar habitação social, urbanização de áreas vulneráveis, reassentamento digno, drenagem urbana e fiscalização de ocupações de risco, sempre com participação das comunidades afetadas.

    Argumento 2 - A falta de infraestrutura transforma evento extremo em desastre social

    Nem toda chuva forte vira tragédia. O desastre se agrava quando há ausência de saneamento, coleta de lixo, contenção de encostas, planejamento urbano, alertas eficientes e rotas de evacuação.

    Causa:

    Investimentos públicos insuficientes em prevenção e adaptação climática deixam bairros periféricos mais expostos.

    Consequência:

    Populações pobres enfrentam doenças, perdas de bens, falta de água potável, interrupção de energia, dificuldade de transporte e demora no acesso a socorro.

    Solução:

    Municípios, estados e União devem integrar defesa civil, saneamento, saúde, assistência social e planejamento urbano, priorizando os territórios mapeados como mais vulneráveis.

    TREINE ESSE TEMA

    Argumento 3 - A recuperação pós-desastre é desigual

    Depois de uma enchente ou deslizamento, famílias com renda estável, seguro, redes de apoio e moradia regular conseguem reconstruir com mais rapidez. Já famílias pobres podem perder documentos, móveis, instrumentos de trabalho e acesso à escola ou ao emprego.

    Causa:

    A vulnerabilidade econômica reduz a capacidade de poupar, contratar proteção privada, acessar crédito e recuperar perdas materiais.

    Consequência:

    O desastre pode aprofundar a pobreza, gerar endividamento, insegurança alimentar, adoecimento físico e sofrimento psicológico.

    Solução:

    Além do socorro emergencial, é preciso garantir aluguel social, transferência de renda, reposição de documentos, atendimento psicossocial, reconstrução de moradias e retomada de serviços públicos essenciais.

    Argumento 4 - A prevenção ainda recebe menos atenção que a resposta emergencial

    A aprovação de recursos emergenciais, como os previstos na Lei nº 15.488/2026, é importante para salvar vidas e restabelecer serviços. Porém, se o Estado agir apenas depois da tragédia, a população vulnerável continuará sendo exposta aos mesmos riscos.

    Causa:

    A gestão pública muitas vezes prioriza medidas reativas, porque obras preventivas e adaptação urbana exigem planejamento contínuo, coordenação federativa e investimento de longo prazo.

    Consequência:

    Comunidades pobres passam por ciclos repetidos de perda, reconstrução precária e nova exposição ao desastre.

    Solução:

    O Brasil precisa fortalecer planos de adaptação climática, sistemas de alerta, educação para riscos, fundos permanentes de prevenção e políticas habitacionais articuladas à defesa civil.

    Como começar uma redação sobre esse tema?

    A introdução deve conectar clima extremo e desigualdade social desde o início. É possível começar com a Lei nº 15.488/2026, com o conceito de justiça climática ou com um caso recente, como as enchentes no Rio Grande do Sul.

    Modelo de introdução com repertório jurídico atual

    Em 2026, a Lei nº 15.488 destinou recursos para socorro emergencial, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais a vítimas de desastres climáticos no Brasil. A medida evidencia a gravidade dos eventos extremos no país, mas também revela um problema estrutural: a população pobre costuma ser a mais exposta e a menos amparada diante de enchentes, secas e deslizamentos. Nesse contexto, a vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos decorre tanto da segregação urbana quanto da insuficiência de políticas preventivas de adaptação e proteção social.

    Modelo de introdução com repertório teórico

    O conceito de justiça climática mostra que os impactos da crise ambiental não se distribuem de forma igual entre os grupos sociais. No Brasil, essa desigualdade aparece quando populações pobres, muitas vezes moradoras de áreas sem infraestrutura adequada, sofrem com maior intensidade os efeitos de enchentes, deslizamentos, secas e ondas de calor. Assim, enfrentar a vulnerabilidade dessas populações exige discutir não apenas mudanças climáticas, mas também moradia, saneamento, planejamento urbano e responsabilidade estatal.

    Como desenvolver esse tema?

    No desenvolvimento, o ideal é dividir a análise em duas frentes: a exposição desigual ao risco e a baixa capacidade de recuperação. Assim, a redação mostra que pobreza não é detalhe do tema, mas elemento central para entender por que o mesmo evento climático causa danos muito diferentes.

    Desenvolvimento 1 - exposição desigual ao risco

    Em primeiro lugar, a vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos está ligada à segregação socioespacial. Sob a perspectiva de Milton Santos, o espaço urbano brasileiro é marcado por desigualdades que concentram infraestrutura, serviços e segurança em determinados territórios, enquanto empurram grupos de baixa renda para áreas periféricas ou ambientalmente frágeis. Dessa forma, enchentes e deslizamentos não atingem apenas locais aleatórios: eles revelam a falta histórica de moradia digna, saneamento, drenagem e planejamento urbano.

    Desenvolvimento 2 - recuperação desigual após o desastre

    Além disso, os impactos dos desastres climáticos se prolongam porque famílias pobres têm menor capacidade de recuperação. Segundo o Banco Mundial, choques climáticos podem empurrar centenas de milhares de brasileiros para a pobreza extrema a partir de 2030, especialmente por afetarem renda, saúde, alimentos e trabalho. Nesse sentido, a perda de uma casa, de documentos ou de instrumentos de trabalho não representa apenas dano material imediato, mas também ruptura de trajetórias escolares, profissionais e familiares.

    PRATIQUE COM ESSE REPERTÓRIO

    Como fazer uma proposta de intervenção?

    A proposta de intervenção precisa unir prevenção, socorro e reconstrução com foco nos territórios vulneráveis. Para o ENEM, uma boa solução deve ter agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.

    Portanto, para reduzir a vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos, o Ministério das Cidades, em parceria com prefeituras e governos estaduais, deve ampliar programas de urbanização de áreas vulneráveis e reassentamento digno de famílias em risco. Essa ação deve ocorrer por meio de mapeamento territorial, obras de drenagem, contenção de encostas, construção de moradias populares em regiões seguras e participação das comunidades afetadas, a fim de impedir que a pobreza continue determinando quem perde tudo em cada desastre.

    Além disso, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional deve fortalecer a Defesa Civil nos municípios mais suscetíveis a enchentes, secas e deslizamentos. Para isso, deve financiar sistemas de alerta antecipado, rotas de evacuação, abrigos estruturados, capacitação de agentes locais e integração com assistência social e saúde, garantindo que o socorro emergencial venha acompanhado de prevenção e reconstrução justa.

    Conclusão

    A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos não é resultado apenas da força da natureza. Ela nasce da desigualdade social, da ocupação precária do território, da falta de infraestrutura e da demora em transformar conhecimento técnico em política pública permanente.

    Por isso, discutir esse tema é uma forma de mostrar que adaptação climática também é combate à pobreza. Socorrer vítimas é urgente; impedir que as mesmas populações continuem expostas ao risco é o verdadeiro teste de justiça social. O resto é enxugar gelo, às vezes literalmente.

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    Referência deste artigo

    Nathalia Souza. A vulnerabilidade das populações pobres diante dos eventos climáticos extremos no Brasil | Tema de redação. Redação Online. Publicado em 24/08/2026.

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