
O acesso a medicamentos para doenças crônicas é uma das formas mais concretas de medir se o direito à saúde funciona na prática. Afinal, condições como diabetes, hipertensão, asma, cânceres e doenças cardiovasculares não dependem de atendimento pontual: elas exigem acompanhamento contínuo, orientação profissional, exames, insumos e remédios disponíveis com regularidade.
Esse debate voltou ao centro das atualidades em julho de 2026, quando o Ministério da Saúde anunciou a oferta nacional de insulina glargina pelo Sistema Único de Saúde. O medicamento passou a ser destinado, em transição gradual, a crianças e adolescentes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e a pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2.
Por isso, o tema a importância do SUS no acesso a medicamentos para doenças crônicas no Brasil permite discutir saúde pública, desigualdade social, envelhecimento populacional, infância, adolescência, assistência farmacêutica, tecnologia médica e o papel do Estado na garantia de direitos. É uma pauta forte para redação porque mostra que tratar doenças crônicas não é apenas uma decisão individual: é também uma responsabilidade coletiva.
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema:
A importância do SUS no acesso a medicamentos para doenças crônicas no Brasil
Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Em 13 de julho de 2026, o Ministério da Saúde informou que o SUS iniciou a oferta nacional de insulina glargina, medicamento de ação prolongada usado no cuidado de pessoas com diabetes. Segundo a pasta, a transição gradual da insulina NPH para a insulina glargina tem como público-alvo pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2.
O ministério também informou que a insulina glargina, na maioria dos casos, permite uma aplicação diária, enquanto outros esquemas podem exigir até três aplicações no mesmo período. A distribuição é feita pelas Unidades Básicas de Saúde, após avaliação clínica e prescrição médica. Até 13 de julho, mais de 254 mil tubetes e 52.350 canetas reutilizáveis já haviam sido enviados a 16 estados, com previsão de chegada a todos os estados até o fim do mês.
Fonte: Ministério da Saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, com base em dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de pessoas vivem com diabetes no Brasil. O órgão explica que o diabetes tipo 1 é uma doença crônica não transmissível ligada à destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. O pico de incidência do diabetes tipo 1 ocorre em crianças e adolescentes, especialmente entre 10 e 14 anos.
O tratamento exige uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue e evitar complicações. Esse dado evidencia por que medicamentos para doenças crônicas não podem ser tratados como consumo ocasional: sem acesso regular, orientação e acompanhamento, a saúde do paciente fica exposta a riscos permanentes.
Fonte: Ministério da Saúde - Diabetes.
A Constituição Federal de 1988 estabelece, no artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por políticas sociais e econômicas voltadas à redução do risco de doenças e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde. Esse princípio é a base do Sistema Único de Saúde.
Fonte: Conselho Nacional de Saúde - Constituição Federal, artigos 196 a 200.
A Organização Mundial da Saúde atualizou, em 2021, suas Listas Modelo de Medicamentos Essenciais e incluiu análogos de insulina de ação prolongada, como a glargina. A OPAS/OMS destacou que preços altos e baixa disponibilidade ainda são barreiras importantes ao acesso a tratamentos para diabetes em diversos países.
Fonte: OPAS/OMS.
Nota metodológica do Ministério da Saúde sobre cuidado da pessoa com diabetes na Atenção Primária afirma que o indicador busca avaliar acesso, acompanhamento contínuo e monitoramento efetivo das pessoas com diabetes, com incentivo à captação precoce e ao cuidado coordenado na APS.
Fonte: Ministério da Saúde - Cuidado da pessoa com diabetes na APS.
Para escrever sobre o acesso a medicamentos para doenças crônicas, vale combinar fatos históricos, produções teóricas e produções culturais. O ideal é mostrar que o problema envolve direito à saúde, desigualdade econômica, organização do Estado e continuidade do cuidado.
A Constituição de 1988 marcou a saúde como direito social e dever do Estado. Esse repertório é forte para sustentar a tese de que medicamentos essenciais, quando necessários para a preservação da vida e da dignidade, devem ser tratados como parte da cidadania, não como privilégio de quem pode pagar.
A Lei Orgânica da Saúde regulamentou o SUS e definiu sua organização. Na redação, ela pode ser usada para mostrar que universalidade, integralidade e equidade são princípios centrais do sistema. Isso fortalece o argumento de que doenças crônicas exigem políticas permanentes, não respostas improvisadas.
A Reforma Sanitária foi um movimento social, acadêmico e político que defendeu a saúde como direito e influenciou a criação do SUS. Esse repertório histórico mostra que o sistema público brasileiro nasceu de uma disputa democrática por inclusão, especialmente em um país marcado por desigualdades profundas.
A Rename orienta quais medicamentos e insumos estão disponíveis no SUS e organiza responsabilidades de financiamento. Esse repertório ajuda a explicar que o acesso a remédios depende de planejamento técnico, atualização periódica, protocolos e gestão pública.
A incorporação da insulina glargina ao atendimento nacional pelo SUS é um fato contemporâneo útil para contextualizar a redação. O caso mostra como inovação médica, produção nacional e assistência farmacêutica podem melhorar a qualidade de vida de pacientes crônicos.
Amartya Sen defende que desenvolvimento não é apenas crescimento econômico, mas ampliação das capacidades reais das pessoas. Na redação, esse repertório ajuda a mostrar que acesso a medicamentos permite estudar, trabalhar, envelhecer com dignidade e participar da vida social.
Marshall relaciona cidadania à garantia de direitos civis, políticos e sociais. O SUS pode ser interpretado como expressão da cidadania social, pois transforma a saúde em direito coletivo e reduz a dependência da renda individual para acessar tratamentos essenciais.
Foucault analisou como o Estado moderno passa a gerir a vida da população por meio de políticas de saúde, vigilância, prevenção e controle de riscos. O repertório pode ser usado para discutir a responsabilidade estatal em organizar campanhas, protocolos e distribuição de medicamentos.
Boaventura ajuda a refletir sobre populações invisibilizadas. Pessoas com doenças crônicas, especialmente pobres, idosas ou moradoras de regiões afastadas, podem ter suas necessidades apagadas quando o acesso ao tratamento depende de renda, transporte ou informação.
Marmot discute como renda, escolaridade, trabalho, moradia e território afetam a saúde. Esse repertório é útil para defender que doenças crônicas não são apenas questões biológicas: elas também se relacionam às condições sociais em que as pessoas vivem e se tratam.
A série brasileira mostra os limites e desafios do sistema público de saúde no cotidiano de profissionais e pacientes. Pode ser usada para discutir sobrecarga, desigualdade no atendimento, urgência médica e importância de políticas públicas estruturadas.
O documentário de Michael Moore compara modelos de saúde e critica sistemas baseados na lógica do lucro. Como repertório, ajuda a defender que o acesso à saúde não deve depender exclusivamente da capacidade de pagamento do indivíduo.
O filme aborda acesso a medicamentos, burocracia, desigualdade e luta de pacientes por tratamento. Na redação, pode ser usado com cuidado para discutir a tensão entre necessidade de regulação sanitária e urgência de acesso a terapias eficazes.
Embora trate especificamente da assistência ao parto, o documentário permite discutir humanização do cuidado, autonomia do paciente e crítica à mercantilização da saúde. Pode ser adaptado para defender um sistema que considere pessoas, não apenas procedimentos.
O filme acompanha jovens com fibrose cística, uma doença crônica que exige cuidados permanentes. Ele pode ser usado para mostrar como tratamentos contínuos afetam rotina, sociabilidade, escola, família e projeto de vida.
Os melhores argumentos mostram que o acesso a medicamentos para doenças crônicas depende de três dimensões: renda, continuidade do cuidado e gestão pública. O aluno deve evitar tratar o tema apenas como falta de remédio, porque o problema é maior: envolve desigualdade, logística, informação, acompanhamento e financiamento.
Doenças crônicas exigem remédios, consultas e insumos por longos períodos. Quando esse custo recai apenas sobre a família, pacientes de baixa renda podem interromper o tratamento, reduzir doses, adiar consultas ou escolher entre comprar medicamentos e pagar outras necessidades básicas.
A renda desigual e o preço de medicamentos tornam o tratamento contínuo inacessível para parte da população.
A interrupção do cuidado aumenta o risco de complicações, hospitalizações e perda de qualidade de vida.
O Estado deve ampliar políticas de assistência farmacêutica, garantir compras públicas eficientes e fortalecer a distribuição gratuita de medicamentos essenciais.
Não basta entregar o medicamento uma vez. Pacientes com diabetes, hipertensão ou outras condições precisam de acompanhamento regular, exames, ajuste de dose, orientação sobre uso correto e vínculo com equipes de saúde.
Falhas na Atenção Primária, falta de profissionais, dificuldade de deslocamento e desinformação dificultam o acompanhamento contínuo.
Mesmo com remédio disponível, o paciente pode usar o tratamento de forma inadequada ou abandonar o cuidado.
Municípios devem fortalecer UBSs, busca ativa, agentes comunitários, educação em saúde e integração entre farmácia, médico, enfermagem e família.
A oferta de insulina glargina mostra que novas tecnologias podem melhorar segurança, adesão ao tratamento e qualidade de vida. No entanto, se a inovação fica restrita a quem pode pagar, ela amplia desigualdades em vez de reduzi-las.
Medicamentos modernos costumam ter custo mais alto e dependem de incorporação tecnológica, produção, negociação e logística.
Pacientes vulneráveis podem ficar presos a tratamentos menos adequados ou enfrentar maior risco de complicações.
O Ministério da Saúde deve investir em avaliação tecnológica, produção nacional, parcerias públicas, protocolos clínicos e distribuição segura pelo SUS.
A introdução deve conectar o direito à saúde ao problema concreto do acesso contínuo a medicamentos. É possível começar com a Constituição, com a oferta da insulina glargina ou com um repertório teórico sobre cidadania social.
A Constituição Federal de 1988 estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, princípio que fundamenta a criação e a atuação do Sistema Único de Saúde. No entanto, no Brasil, a garantia desse direito ainda enfrenta desafios quando se trata do acesso contínuo a medicamentos para doenças crônicas. Nesse contexto, a importância do SUS está relacionada tanto à redução das desigualdades econômicas quanto à necessidade de assegurar acompanhamento permanente aos pacientes.
Em julho de 2026, o Ministério da Saúde iniciou a oferta nacional de insulina glargina pelo SUS para crianças, adolescentes e idosos elegíveis, medida que evidencia o papel do Estado na ampliação do acesso a tratamentos para diabetes. Embora represente avanço importante, a iniciativa também revela um desafio maior: garantir, em todo o país, medicamentos e acompanhamento para pessoas com doenças crônicas. Assim, o debate envolve desigualdade social, gestão pública e efetivação do direito à saúde.
Para o sociólogo T. H. Marshall, a cidadania moderna inclui direitos sociais capazes de assegurar condições mínimas de vida digna. Sob essa perspectiva, o acesso a medicamentos para doenças crônicas no Brasil não pode depender apenas da renda familiar, pois envolve a preservação da saúde e da autonomia dos indivíduos. Dessa forma, o SUS é essencial para reduzir desigualdades, embora ainda enfrente obstáculos de financiamento, distribuição e acompanhamento contínuo.
No desenvolvimento, o ideal é separar o problema em duas frentes: a desigualdade de acesso e a necessidade de continuidade do cuidado. Assim, a redação foge do senso comum e mostra domínio da complexidade do tema.
Em primeiro lugar, o acesso a medicamentos para doenças crônicas é diretamente afetado pela desigualdade econômica. Como tratamentos para diabetes, hipertensão e outras condições exigem uso prolongado, famílias de baixa renda podem ter dificuldade para manter a compra regular de remédios e insumos. Nesse cenário, o SUS atua como mecanismo de cidadania social, pois reduz a dependência da renda individual e permite que o tratamento seja compreendido como direito, não como privilégio de consumo.
Além disso, o tratamento de doenças crônicas exige continuidade, e não apenas acesso pontual ao medicamento. No caso do diabetes, por exemplo, o Ministério da Saúde destaca a necessidade de acompanhamento na Atenção Primária, orientação de uso e monitoramento efetivo dos pacientes. Dessa maneira, falhas em UBSs, estoques, informação e equipes multiprofissionais podem comprometer a adesão ao tratamento e aumentar riscos de complicações, especialmente entre grupos vulneráveis.
A proposta de intervenção deve indicar quem fará, o que será feito, por qual meio, com qual finalidade e com detalhamento. Para esse tema, é forte combinar Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais, UBSs e campanhas de educação em saúde.
Portanto, para ampliar o acesso a medicamentos para doenças crônicas no Brasil, o Ministério da Saúde, em parceria com secretarias estaduais e municipais, deve fortalecer a assistência farmacêutica do SUS. Essa ação deve ocorrer por meio de sistemas integrados de monitoramento de estoques, compras públicas planejadas, distribuição regular às Unidades Básicas de Saúde e divulgação transparente da disponibilidade dos medicamentos, a fim de evitar desabastecimentos e garantir continuidade do tratamento.
Além disso, as UBSs devem ampliar ações de educação em saúde para pacientes crônicos e familiares, com rodas de orientação, materiais acessíveis e acompanhamento por equipes multiprofissionais. Desse modo, o acesso ao medicamento será acompanhado de informação, adesão adequada e prevenção de complicações.
Discutir a importância do SUS no acesso a medicamentos para doenças crônicas é discutir o quanto o direito à saúde consegue sair do texto da Constituição e chegar à rotina das pessoas. Para quem vive com diabetes, hipertensão ou outra condição permanente, remédio não é detalhe: é continuidade de vida, estudo, trabalho, autonomia e dignidade.
A oferta nacional de insulina glargina mostra que políticas públicas podem incorporar inovação e melhorar a qualidade do cuidado. Mas também lembra que acesso real depende de estoque, prescrição, UBS funcionando, orientação adequada e gestão pública competente. Direito social sem execução vira frase bonita. E frase bonita não controla glicemia, não evita internação e não paga medicamento caro no fim do mês.
Envie suas redações e receba correção profissional em até 24h. Nossos especialistas aprovados nas melhores universidades vão te ajudar a alcançar a nota máxima.
Ver Planos de CorreçãoVeja como discutir bets e futebol na redação, com textos motivadores, repertórios, argumentos e proposta sobre credibilidade esportiva.
Veja como discutir a cobrança por resultados imediatos entre jovens, com textos motivadores, fatos atuais, repertórios e argumentos para redação.
Tema de redação sobre jovens no mercado de trabalho, exigência de experiência, leis recentes, repertórios, argumentos e proposta de intervenção.
Veja como discutir bets e futebol na redação, com textos motivadores, repertórios, argumentos e proposta sobre credibilidade esportiva.
Veja como discutir a cobrança por resultados imediatos entre jovens, com textos motivadores, fatos atuais, repertórios e argumentos para redação.
Tema de redação sobre jovens no mercado de trabalho, exigência de experiência, leis recentes, repertórios, argumentos e proposta de intervenção.
Tema de redação sobre influenciadores digitais, cobertura jornalística, Copa do Mundo, credibilidade da informação, repertórios e argumentos.