Desafios atuais da insegurança alimentar no Brasil
Melissa de Araújo, nutricionista e coordenadora do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais, destaca um preocupante cenário no Brasil.
“Nos últimos cinco anos, um aumento nos custos de produção de alimentos básicos, como frutas, verduras, legumes e cereais, tem sido notado, principalmente devido à redução das políticas de crédito à agricultura familiar”, ela explica.
Esta forma de agricultura é crucial para suprir as necessidades alimentares da população brasileira.
Além disso, Melissa ressalta a complexidade da situação. “Não podemos simplificar a questão acreditando que políticas assistencialistas de distribuição de cestas básicas resolverão o problema”, ela enfatiza.
Outrossim, o acesso aos alimentos, especialmente em áreas urbanas, está intrinsecamente ligado ao acesso à renda.
Nesse sentido, Paulo Petersen, do Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia, complementa a discussão. “A maior parte da produção agrícola brasileira é voltada para ração, combustíveis e exportação, não para o consumo interno”, ele observa.
“Atualmente, o governo não regula adequadamente as políticas de segurança alimentar, e isso, combinado com a alta inflação e crescente desemprego, agrava a situação.”
Para Petersen, é crucial mudar a perspectiva sobre os alimentos. “Não podemos tratar os alimentos como uma mera mercadoria. É essencial incentivar a agricultura familiar, a principal fonte de alimentos no país, e apoiar políticas que favoreçam a distribuição local”, afirma.
Desse modo, ele cita programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar como exemplos de iniciativas importantes que estão sendo desmanteladas.
Fonte adaptada: O Povo