
Conseguir o primeiro emprego ainda é um dos maiores desafios para muitos jovens brasileiros. Em várias seleções, o candidato encontra uma exigência contraditória: ter experiência anterior justamente para ocupar uma vaga de entrada. Assim, o jovem precisa trabalhar para adquirir experiência, mas não consegue trabalhar porque ainda não tem experiência.
Esse problema não é apenas individual. Ele envolve desigualdade social, acesso desigual à educação, baixa oferta de estágios de qualidade, informalidade, falta de orientação profissional e processos seletivos pouco compatíveis com a realidade de quem está começando.
O tema ganhou força em 2026 porque voltou ao debate público a proposta de reconhecer estágio como experiência profissional. O ponto exige cuidado: o PL 2.762/2019 foi aprovado pelo Senado em abril de 2026, mas foi vetado em maio de 2026 e ainda depende de análise do Congresso Nacional. Ou seja, não deve ser tratado como lei vigente.
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema:
Os desafios para a inserção de jovens no mercado de trabalho diante da exigência de experiência no Brasil
Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
A Lei nº 11.644/2008 acrescentou o artigo 442-A à Consolidação das Leis do Trabalho. A regra determina que, para fins de contratação, o empregador não pode exigir do candidato comprovação de experiência prévia por tempo superior a seis meses no mesmo tipo de atividade.
Esse dispositivo é importante porque mostra que a exigência abusiva de experiência já é reconhecida como problema jurídico. Ainda assim, muitos jovens continuam enfrentando barreiras em processos seletivos, principalmente quando disputam vagas de entrada.
Fonte: Planalto | Link da Lei nº 11.644/2008.
Em abril de 2026, o Senado aprovou o PL 2.762/2019, que previa o reconhecimento do estágio como experiência profissional. No entanto, em maio de 2026, o projeto foi vetado. Segundo a justificativa divulgada, a medida poderia descaracterizar o caráter pedagógico do estágio e interferir em critérios de concursos públicos.
O Veto nº 22/2026 ainda aparece como não apreciado pelo Congresso Nacional. Por isso, o tema continua atual e mostra uma tensão importante: como valorizar a experiência prática do estudante sem transformar o estágio em substituto precário do emprego formal?
Fontes: Câmara dos Deputados | Link da notícia e Congresso Nacional | Link do Veto nº 22/2026.
O Ministério do Trabalho e Emprego informou, em junho de 2026, que o Brasil ultrapassou 726 mil jovens aprendizes no mercado de trabalho, o maior número da série histórica. Entre janeiro e abril de 2026, houve saldo positivo de mais de 54 mil jovens aprendizes inseridos no mercado formal.
O dado mostra que políticas públicas de aprendizagem profissional podem facilitar a entrada de jovens no mundo do trabalho. No entanto, o avanço também revela a necessidade de ampliar vagas, fiscalização e qualidade da formação oferecida.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego | Link da notícia.
A Lei nº 11.788/2008, conhecida como Lei do Estágio, define o estágio como ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho. Isso significa que o estágio deve aproximar o estudante da prática profissional, mas sem substituir emprego formal nem perder sua função formativa.
Esse ponto é central para a redação: o problema não está em exigir preparo, mas em transformar a falta de experiência em barreira permanente para quem ainda não teve oportunidade de começar.
Fonte: Planalto | Link da Lei nº 11.788/2008.
Para escrever sobre jovens no mercado de trabalho, vale combinar repertórios jurídicos, sociológicos e culturais. Assim, a redação mostra que a dificuldade de inserção profissional não é falta de esforço individual, mas resultado de condições sociais e institucionais.
🏭 Lei nº 11.644/2008
A Lei nº 11.644/2008 é o repertório jurídico mais direto para o tema. Ela incluiu o artigo 442-A na CLT e limita a exigência de experiência prévia a, no máximo, seis meses no mesmo tipo de atividade. Na redação, ajuda a defender que a cobrança abusiva de experiência para vagas de entrada pode contrariar a própria lógica de proteção trabalhista.
🏭 Lei nº 11.788/2008 - Lei do Estágio
A Lei do Estágio define o estágio como ato educativo escolar supervisionado. Esse repertório permite argumentar que a experiência prática do estudante deve ser valorizada, mas sem transformar estágio em mão de obra barata ou substituição de emprego formal.
🏭 Lei da Aprendizagem Profissional
A Lei nº 10.097/2000, conhecida como Lei da Aprendizagem, obriga empresas de médio e grande porte a contratar jovens aprendizes dentro de cotas legais. Ela é útil para defender a ampliação de programas de entrada protegida, com formação, remuneração e direitos.
🏭 Estatuto da Juventude
O Estatuto da Juventude reconhece direitos de jovens brasileiros, incluindo educação, profissionalização, trabalho e renda. Esse repertório fortalece a tese de que a inserção no mercado de trabalho deve ser política pública, não responsabilidade isolada do jovem.
📚 Pierre Bourdieu - capital cultural
Bourdieu pode ser usado para explicar como desigualdades sociais aparecem como diferença de mérito. Jovens com mais acesso a cursos, idiomas, contatos e experiências extracurriculares chegam aos processos seletivos com vantagens que nem sempre são resultado apenas de esforço individual.
📚 Amartya Sen - desenvolvimento como liberdade
Amartya Sen entende desenvolvimento como ampliação de capacidades reais. No tema, o repertório ajuda a mostrar que incluir jovens no trabalho não é apenas gerar renda, mas permitir autonomia, escolha profissional e participação social.
📚 Ricardo Antunes - precarização do trabalho
Ricardo Antunes pode ser usado para discutir como o mercado contemporâneo flexibiliza e precariza vínculos. Esse repertório ajuda a criticar quando a busca por experiência empurra jovens para informalidade, subemprego ou ocupações sem formação efetiva.
🎬 À Procura da Felicidade
O filme mostra a dificuldade de acessar oportunidades profissionais em meio à instabilidade econômica. Pode ser usado para discutir como esforço individual importa, mas não elimina barreiras estruturais de renda, moradia, formação e rede de apoio.
🎬 Que Horas Ela Volta?
O filme brasileiro ajuda a discutir mobilidade social e desigualdade de oportunidades. Na redação, pode ser usado para mostrar como origem social influencia acesso à educação, trabalho e projetos de futuro.
🎬 Tempos Modernos
A obra de Charles Chaplin pode ser usada para discutir a relação entre trabalhador, sistema produtivo e lógica empresarial. No tema, funciona para criticar processos que tratam jovens apenas como mão de obra pronta, sem reconhecer a necessidade de formação inicial.
Os melhores argumentos precisam mostrar como a exigência de experiência funciona como filtro social, desloca o custo da formação inicial para o jovem e transforma falta de oportunidade em culpa individual.
Um argumento forte é mostrar que jovens de baixa renda têm menos acesso a cursos, transporte, internet de qualidade, estágios não remunerados e redes de indicação. Quando uma vaga de entrada exige experiência, ela favorece quem já teve oportunidade de começar antes.
O acesso desigual à educação, à qualificação e ao capital cultural faz com que alguns jovens cheguem ao mercado com experiências valorizadas, enquanto outros sequer conseguem disputar a primeira oportunidade.
A seleção por experiência prévia pode reproduzir desigualdades de classe, raça e território, impedindo que o trabalho formal funcione como instrumento de mobilidade social.
O Estado deve ampliar programas de aprendizagem profissional, bolsas de estágio, transporte estudantil e parcerias com escolas públicas, garantindo que jovens vulneráveis também tenham experiências formativas reconhecidas.
Outro caminho é criticar a lógica de vagas “júnior” que cobram experiência incompatível com a função. Se a vaga é de entrada, a empresa precisa oferecer treinamento, mentoria e acompanhamento inicial.
Muitas empresas tentam reduzir custos de formação e buscam candidatos já prontos, mesmo quando a função poderia ser aprendida com capacitação interna.
O jovem fica preso no ciclo “não trabalha porque não tem experiência e não tem experiência porque não trabalha”, sendo empurrado para informalidade ou subemprego.
Empresas devem criar trilhas de entrada com treinamento remunerado, mentoria, avaliação por competências e cumprimento efetivo da CLT, especialmente do limite legal para exigência de experiência.
Também é possível argumentar que muitos estudantes concluem a educação básica sem orientação sobre currículo, entrevista, direitos trabalhistas, estágio, jovem aprendiz e planejamento de carreira.
A distância entre currículo escolar e vida profissional dificulta a transição entre estudo e trabalho, principalmente para jovens que não têm apoio familiar ou rede de contatos.
A falta de orientação aumenta a insegurança, reduz o acesso a oportunidades formais e torna o jovem mais vulnerável a propostas precárias.
O Ministério da Educação, em parceria com secretarias estaduais e municipais, deve inserir orientação profissional, educação financeira, direitos trabalhistas e oficinas de currículo no ensino médio.
Uma boa introdução pode partir da contradição entre exigir experiência e negar oportunidades de entrada. Depois, apresente uma tese com duas causas principais.
No Brasil, muitos jovens enfrentam um paradoxo ao buscar o primeiro emprego: precisam comprovar experiência para serem contratados, mas não conseguem adquirir experiência justamente porque não são contratados. Embora a CLT limite exigências abusivas de experiência, a inserção juvenil no mercado de trabalho ainda é marcada por desigualdades sociais e por processos seletivos pouco compatíveis com vagas de entrada. Nesse contexto, os desafios para incluir jovens no mundo profissional decorrem tanto da falta de políticas de formação quanto da cultura empresarial excludente.
Em primeiro lugar, a exigência de experiência reforça desigualdades já existentes entre os jovens brasileiros. Sob a perspectiva de Pierre Bourdieu, o capital cultural influencia o acesso a oportunidades, pois candidatos com cursos, idiomas, contatos e experiências extracurriculares tendem a ser mais valorizados. Assim, quando empresas cobram experiência para vagas iniciais, acabam selecionando não apenas os mais preparados, mas aqueles que já tiveram oportunidades anteriores. Desse modo, o mercado de trabalho reproduz desigualdades sociais em vez de funcionar como instrumento de mobilidade.
Além disso, a dificuldade de inserção profissional revela falhas na articulação entre Estado, escola e setor produtivo. Embora programas como a Aprendizagem Profissional ampliem o acesso de jovens ao trabalho formal, muitas empresas ainda tratam a formação inicial como custo, e não como investimento social. Consequentemente, jovens são direcionados à informalidade ou aceitam ocupações precárias para obter experiência. Portanto, a inclusão profissional depende de políticas públicas fiscalizadas e de processos seletivos mais coerentes com vagas de entrada.
A proposta de intervenção deve unir formação, fiscalização e contratação protegida. O ideal é envolver Ministério do Trabalho, Ministério da Educação, escolas e empresas.
Portanto, para ampliar a inserção de jovens no mercado de trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério da Educação, deve fortalecer programas de aprendizagem profissional e orientação de carreira nas escolas. Essa ação deve ocorrer por meio de convênios com empresas, oficinas de currículo, simulações de entrevista e divulgação de direitos trabalhistas, a fim de preparar estudantes para vagas de entrada e reduzir a exclusão por falta de experiência.
Além disso, a fiscalização trabalhista deve monitorar anúncios de emprego que exijam experiência incompatível com vagas iniciais, garantindo o cumprimento da CLT e estimulando empresas a adotarem programas de treinamento, mentoria e avaliação por competências.
A exigência de experiência para jovens em busca do primeiro emprego não pode ser tratada como simples critério de seleção. Quando usada de forma abusiva, ela cria uma barreira social que impede o início da trajetória profissional e aprofunda desigualdades.
Por isso, o tema exige uma abordagem que combine legislação, educação, qualificação e responsabilidade empresarial. Inserir jovens no mercado de trabalho é mais do que abrir vagas: é criar condições reais para que eles possam começar.
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