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    Anotar ou só escutar? Entenda o que é estudo ativo e passivo

    Por Otavio Pinheiro
    19 de agosto de 2022
    7 min de leitura

    Atualizado em 27/12/2023

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    1. O que é estudo passivo?
    2. O que é estudo ativo?
    3. Como usar cada um dos métodos

    Você provavelmente já reveza entre estes métodos sem perceber, mas dominá-los pode potencializar o rendimento 

    Para alguns professores mais tradicionais não tem conversa: a melhor forma de absorver o conteúdo da aula é anotar tudo no caderno. Tirar foto da lousa, então, é praticamente um crime contra o aprendizado! 

    A verdade é que estes professores não estão de todo equivocados. Anotar o que está sendo dito, muitas vezes, ajuda o cérebro a fixar o conteúdo. Não é só bronca de professor: o nome disso é estudo ativo. 

    Apesar do estudo ativo ser comprovadamente eficaz, a metodologia que fica na outra ponta não deve ser ignorada. O estudo passivo – aquele que envolve momentos de escuta ou apenas de leitura – também tem sua aplicabilidade e é válido. 

    Conversamos com uma especialista em métodos de estudo e, neste texto, explicamos a fundo os benefícios do estudo ativo e do estudo passivo. Entenda ainda em quais casos cada um deles é mais recomendado.

     

    O que é estudo passivo?

     

    Como diria Luva de Pedreiro, a sensação do TikTok: “receba!”. O estudo passivo nada mais é do que receber uma informação. É o momento do aprendizado em que o estudante simplesmente escuta ou lê um conteúdo sem criar anotações ou resolver questões. Resumindo, é como a clássica aula em que o aluno está sentado na carteira escutando o professor explicar o conteúdo em frente à lousa.

    “Você pode receber informações assistindo uma aula, lendo um livro, ou ainda escutando alguém falar”, explica Susane Ribeiro, especialista em técnicas de estudo.

    Nos últimos anos, porém, o estudo passivo tem sido apontado como um dos vilões da retenção de informação, visto que é mais fácil se distrair quando se está apenas escutando ou lendo sem exercer nenhuma atividade de fixação.

    Ribeiro esclarece que este momento de apenas receber o conteúdo tem um papel fundamental na aprendizagem, mas, ainda assim, é importante reconhecer suas limitações.

    “O estudo passivo não é errado, ele também é necessário, mas ele deve ser entendido como o primeiro contato com a matéria, só ele não é o suficiente para reter o conteúdo”, explica.

    O problema, segundo ela, é quando o aluno se vicia em só assistir aula. Ou seja, só praticar o estudo passivo. Com isso, o estudante se mune apenas de teoria e pouca prática – o que, em poucas semanas, se torna um problema já que a memória começa a falhar e os conteúdos são esquecidos.

    “É importante que a carga de estudo passivo seja reduzida para não ter tantas horas por dia só de aula. Tem escolas que passam dez horas de aulas diárias e o aluno não tem tempo de fazer questões, revisão ou até mesmo descansar”, ressalta Ribeiro.

     

    O que é estudo ativo?

     

    Se o estudo passivo é o momento de receber uma informação, o estudo ativo é a hora de criar algo a partir desta informação. Seria traduzir o conteúdo aprendido em uma criação própria. É neste momento que a mágica acontece.

    Resolver questões, fazer anotações, escrever um resumo, desenhar um mapa mental e explicar o conteúdo para alguém ou a si mesmo: todas essas são formas de praticar o estudo ativo. As opções são inúmeras e podem variar de acordo com as preferências e dificuldades do estudante. Neste vídeo, por exemplo, você aprende a fazer um mapa mental.

    “No estudo passivo, você acha que aprendeu tudo, mas no outro dia já esqueceu. Na semana seguinte, nem se lembra mais do que se tratava. Quando treinamos com lista de exercícios, que é o tipo mais simples de estudo ativo, isso é bem mais difícil de acontecer”, explica.

    As vantagens do estudo ativo podem ser percebidas justamente quando o estudante precisa responder questões dissertativas nas provas. Diferente das questões de múltipla escolha, onde as informações são apresentadas e basta reconhecer qual responde melhor a pergunta, nas questão dissertativas é preciso fazer uma recuperação mental do conteúdo. É como “puxar” a informação de dentro do cérebro.

    Um conteúdo que foi aprendido apenas pelo estudo passivo meses antes da prova, por exemplo, dificilmente será lembrado com facilidade pelo estudante. Enquanto um conteúdo treinado com exercícios, revisões mensais e resumos escritos é acessado pelo cérebro de forma mais natural.

    “Uma boa técnica de estudo ativo é a autoexplicação. Ela é muito mencionada pelo físico americano vencedor do Prêmio Nobel de Física, o Richard Feynman. Ele defende um aprendizado que foge do decoreba e foca em, entre outras técnicas, em aprender a partir de perguntas e respostas”, explica.

    A especialista diz que a explicação deve ser conduzida sempre como um debate do assunto – como se fosse um professor engajando os alunos ou um profissional apresentando uma palestra. “É ir se perguntando ‘por que que isso acontece?’, ‘como que isso acontece?’, ‘qual a consequência disso?'”, exemplifica.

     

    Como usar cada um dos métodos

     

    Não há um consenso ou uma resposta cientificamente comprovada acerca de qual formato deve ser usado e em qual momento. O mais comum é o estudante ir alternando entre as duas técnicas de maneira natural. Ribeiro alerta que o único perigo é pecar pelo extremo e utilizar o mesmo formato para todas as disciplinas, todos os dias.

    “Até porque não tem como você aprender um novo assunto indo direto para as questões. Imagina querer fazer exercícios de logaritmo sem ter nada da teoria, sem ter visto uma aula ou lido uma explicação? O estudo passivo é necessário para o estudo ativo acontecer”, esclarece.

    Pensando nisso, a especialista dividiu os “tipos” de estudantes em três subgrupos e listou dicas para cada um deles. Confira:

    • Para estudantes que estão na escola, é mais difícil escapar do excesso de estudo passivo. Até para não levar faltas, o aluno é obrigado a assistir todas as aulas, todos os dias. A especialista diz que o ideal é fazer anotações próprias no caderno durante a aula, e, ao chegar em casa, resolver uma lista de exercícios, mesmo que o professor não tenha pedido. Essa inserção de doses de estudo ativo fará a diferença no desempenho do estudante. Para aqueles que querem ir além, um resumo ou um mapa mental sobre os conteúdos vistos na semana pode ser feito nos fins de semana.
    • Para estudantes que estão em cursos pré-vestibular presencial, a principal vantagem é poder escolher a quais aulas assistir. Nessa hora, o autoconhecimento é bem-vindo e o aluno pode optar por apenas frequentar as aulas que tem mais dificuldade, enquanto utiliza o tempo das outras para treinar exercícios e provas antigas. Além disso, fazer flashcards e revisões mensais são uma boa maneira de intensificar o estudo ativo.
    • Para estudantes que estão em cursos pré-vestibular online, o formato permite um híbrido de estudo passivo e ativo. Além de poder escolher quais aulas assistir, o aluno tem o poder de decidir a velocidade da aula e de rever quantas vezes quiser os conteúdos. Uma forma de ir mesclando os dois formatos em tempo real é pausar a aula e verificar como aquele conteúdo é cobrado nas provas. Para Ribeiro, o curso online é o que mais permite a personificação do estudo.

     

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    Otavio Pinheiro. Anotar ou só escutar? Entenda o que é estudo ativo e passivo. Redação Online. Publicado em 19/08/2022.

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