Atualizado em
Decidir sobre quantos filhos ter – ou simplesmente não ter – e qual é o melhor momento para gestar é um direito de cidadania no Brasil. No entanto, a falta de acesso ao planejamento familiar é uma realidade de muitas pessoas, principalmente das classes baixas, que enfrentam a falta de assistência e dificuldades no acesso a métodos contraceptivos.
É sobre isso que o nosso tema da semana aborda: a “Falta de acesso ao planejamento familiar no Brasil”. Para ajudar você a desenvolver a sua redação e refletir sobre essa problemática, selecionamos neste artigo alguns repertórios socioculturais sobre o tema. Confira!
Neste vídeo, o médico Drauzio Varella entrevista mulheres que lidam com a gravidez não planejada – entre elas uma adolescente – e profissionais da saúde para falar sobre a importância do planejamento familiar. Ele enfatiza que a taxa de natalidade é maior entre adolescentes pobres, sendo um fator que contribui para o ciclo da pobreza.
Além disso, o vídeo apresenta os diferentes métodos contraceptivos disponíveis no SUS, como diafragma, pílulas, DIU de cobre, laqueadura e vasectomia, bem como os preservativos (masculino e feminino) que protegem também contra as ISTs – infecções sexualmente transmissíveis. Confira:
O Profissão Repórter apresenta a luta de mulheres para ter acesso aos métodos contraceptivos no Brasil e aponta que 25% das mulheres que vivem na cidade de Cristalândia, em Tocantins, preferem fazer laqueadura por considerarem ser um método mais eficaz para evitar a gestação.
Além disso, a reportagem mostra o trabalho de médicas que atuam para que o acesso ao planejamento familiar e reprodutivo seja efetivado, mesmo em meio a tanto conservadorismo. Confira a matéria completa no g1 globo.
Você sabe o que são direitos reprodutivos? Trata-se de um conceito fundamental para a nossa discussão, pois envolve o direito ao planejamento familiar. Neste artigo, o jornal Nexo explica o conceito, a sua relação com o movimento feminista e a luta pela equidade de gênero e como esses direitos ligados à reprodução e sexualidade passaram a fazer parte dos direitos humanos.
O artigo também destaca que a implementação dos direitos reprodutivos enfrenta alguns obstáculos: a resistência de grupos religiosos e políticas conservadoras que impedem o seu avanço.
Leia o artigo completo aqui.
Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 12 milhões de mulheres em 115 países, incluindo o Brasil, perderam o acesso a serviços de planejamento familiar em 2020 por conta da pandemia da Covid-19. Esse fator levou a 1,4 milhões de gravidezes indesejadas.
De acordo com Astrid Bant, representante da UNFPA no Brasil, as regiões mais afetadas pela falta de acesso a serviços de saúde reprodutiva foram o Norte e Nordeste. Segundo ela:
“Durante crises de saúde e crises humanitárias, são as pessoas em situação de maior vulnerabilidade que enfrentam possíveis rupturas em seu acesso a serviços. E é preciso lembrar que o acesso a contraceptivos, assim como atendimento em saúde reprodutiva, é um direito humano, e temos trabalhado para garanti-lo”.
Além desses dados, esta matéria do jornal O Globo também mostra os impactos da pandemia nos serviços de planejamento familiar e reprodutivo, ao afirmar que a oferta do DIU e laqueadura pelo SUS caiu mais de 40%.
Meninas (2006) é um documentário brasileiro, dirigido por Sandra Werneck, que aborda a gravidez na adolescência por meio da história de Evelin (13 anos), Luana (15 anos), Edilene (14 anos) e Joice (15 anos). Todas são adolescentes que moram em comunidades pobres do Rio de Janeiro e têm suas vidas afetadas pela gravidez precoce.
O documentário alerta para a importância de incentivar políticas sociais e educativas sobre sexualidade e que conscientizem adolescentes sobre os impactos de uma gravidez indesejada e não planejada em suas vidas.
Meninas (2006) está disponível no Youtube, a seguir:
A premiada série The Handmaid’s Tale (2017) também pode ser um repertório para a sua redação! O drama, baseado no livro homônimo de Margaret Atwood, aborda a perda dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Em um futuro distópico, o planeta enfrenta uma crise de natalidade causada por problemas ambientais em que grande parte da população se torna infértil. Nesse cenário, os EUA sofrem um golpe e se transformam em um Estado totalitário e fundamentalista cristão, chamado República de Gileade.
Para manter os níveis demográficos da população, as poucas mulheres férteis – as Aias – são forçadas a procriar com a elite, ou seja, elas perdem a sua autonomia e têm seus direitos sexuais e reprodutivos completamente negados.
Assista ao trailer a seguir:
E aí, você gostou dos repertórios que selecionamos? Esperamos que eles ajudem você a fundamentar a sua tese! Agora, escreva a sua redação sobre o tema “Falta de acesso ao planejamento familiar no Brasil” e envie em nossa plataforma que a corrigimos em até 3 dias úteis!
Envie suas redações e receba correção profissional em até 24h. Nossos especialistas aprovados nas melhores universidades vão te ajudar a alcançar a nota máxima.
Ver Planos de CorreçãoNa era digital, vale a pena fazer faculdade? Analisamos como a desvalorização do ensino superior impacta a formação crítica dos jovens e o futuro do Brasil.
Vestibular UNEB 2026 debateu o feminicídio e a educação como combate à violência. Analisamos este tema crucial que desafiou milhares e te preparamos para futuras pautas sociais.
Braille: ferramenta essencial para inclusão e cidadania de pessoas com deficiência visual. Tema relevante em vestibulares e no ENEM.
A doação de livros é uma ferramenta de justiça social contra a exclusão cultural. Em um Brasil com cada vez mais não leitores, ela democratiza o acesso ao conhecimento e reduz desigualdades.
Vestibular UNEB 2026 debateu o feminicídio e a educação como combate à violência. Analisamos este tema crucial que desafiou milhares e te preparamos para futuras pautas sociais.
A prova de redação da Unicamp 2026, aplicada neste último domingo (30), rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados entre estudantes e especialistas. Isso aconteceu porque, logo na abertura do enunciado, os candidatos se depararam com duas propostas extremamente atuais, socialmente relevantes e que exigiam, sem dúvida, um nível elevado de leitura crítica e domínio dos gêneros textuais. Ambos os temas tratavam de fenômenos que atravessam o cotidiano brasileiro: de um lado, a expansão da chamada “machosfera”, universo digital marcado por discursos de ódio e radicalização masculina; de outro, a importância histórica da CLT e dos direitos trabalhistas, que estruturam a cidadania social no país. Além de surpreender, as propostas reforçaram uma tendência que a Unicamp vem consolidando ao longo dos últimos anos: a de cobrar temas ancorados em debates contemporâneos, que permitem ao estudante demonstrar conhecimento de mundo, repertório sociocultural e capacidade de argumentar de maneira crítica. Por essa razão, compreender o que foi solicitado torna-se essencial para quem deseja não apenas revisar seus acertos, mas também se preparar com estratégia para a edição de 2027. O que caiu na redação da Unicamp 2026? Os candidatos encontraram duas propostas distintas e deveriam escolher apenas uma. Ambas tinham em comum a profundidade temática e a necessidade de observar rigorosamente o gênero textual solicitado. Tema 1 — A expansão da machosfera e o discurso de ódio contra mulheres A primeira proposta exigia um depoimento pessoal narrativo-argumentativo. O estudante precisava narrar um episódio testemunhado em ambientes digitais ligados à machosfera — incluindo grupos incel e redpill — e, a partir disso, refletir criticamente sobre os riscos e consequências dos discursos de ódio contra mulheres. Isso significa que o candidato não podia apenas narrar, mas articular uma experiência verossímil com uma análise consistente do fenômeno, demonstrando consciência social e conhecimento dos mecanismos de violência simbólica e digital. Tema 2 — A importância histórica da CLT A segunda proposta solicitava que o estudante escrevesse uma nota de esclarecimento destinada ao público interno de uma empresa. A tarefa consistia em explicar o significado de “ser CLT” e argumentar sobre a relevância histórica da legislação trabalhista no Brasil. Esse gênero, mais técnico e formal, exige objetividade, clareza terminológica e domínio da função social do texto, já que uma nota interna deve informar, orientar e esclarecer. Ambas as propostas, portanto, exigiram habilidades diferentes, mas igualmente sofisticadas: no primeiro tema, a combinação de narrativa e argumentação; no segundo, a precisão formal e a articulação histórica. O que diziam os textos motivadores da prova? Para além da escolha dos temas, a Unicamp reforçou sua tradição de oferecer coletâneas densas e multirreferenciadas, que ajudassem o candidato a compreender plenamente o contexto de cada proposta. Textos motivadores do tema da machosfera A coletânea incluía: – Trechos da série Adolescência, da Netflix, que aborda a vulnerabilidade de jovens expostos a discursos radicais em fóruns como incels;– Casos reais de ataques motivados por ideologias misóginas, como Elliot Rodger (EUA), Alek Minassian (Canadá) e Jake Davison (Reino Unido);– Leis brasileiras relacionadas ao enfrentamento da violência digital, como a Lei Maria da Penha em sua dimensão online, a Lei Lola Aronovich, a Lei do Sinal Vermelho e a Lei dos Deepfakes;– Reflexão do psicanalista Christian Dunker sobre a vergonha, a solidão e o sofrimento emocional que alimentam comportamentos violentos. Esses textos convidavam o estudante a analisar não apenas episódios isolados, mas um fenômeno complexo em que vulnerabilidade emocional, misoginia e algoritmos digitais se entrelaçam. Textos motivadores do tema da CLT A coletânea trazia: – Explicações sobre a função e o histórico da CLT;– O processo de consolidação de direitos como jornada de 8 horas, férias e FGTS;– O argumento econômico de que direitos trabalhistas não prejudicam o desenvolvimento, mas o fortalecem;– O impacto do 13º salário na economia brasileira e outros dados organizados pelo Dieese. Esses textos davam ao candidato um panorama histórico e estrutural sobre a evolução dos direitos trabalhistas no Brasil, mostrando como a CLT é fundamental para a cidadania social. Como o Redação Online antecipou exatamente esses dois temas Um dos pontos que chamou a atenção após a prova foi que o Redação Online já havia trabalhado exatamente os dois eixos temáticos cobrados pela Unicamp meses antes. Essa antecipação não foi coincidência: ela é resultado de um acompanhamento contínuo das tendências sociais, legislativas e culturais que influenciam os vestibulares. A discussão sobre a cultura incel, por exemplo, foi profundamente abordada no artigo: 🔗 Caminhos para o enfrentamento da cultura incel na sociedade contemporânea Nesse conteúdo, analisamos as origens da machosfera, explicamos como fóruns digitais amplificam a misoginia e discutimos políticas públicas e repertórios fundamentais — como Bauman, Bourdieu e ONU Mulheres — que dialogam diretamente com a proposta da Unicamp. Do mesmo modo, o eixo do trabalho e da proteção trabalhista já havia sido explorado em: 🔗 O fim da escala 6×1: medida válida para a saúde mental dos trabalhadores ou uma intervenção desnecessária? Esse tema discutiu a precarização do trabalho, a saúde mental dos empregados, a função social da legislação trabalhista e o papel da CLT como proteção histórica. Em ambos os casos, os conteúdos ofereceram aos estudantes exatamente o repertório necessário para compreender profundamente as propostas da Unicamp. Além disso, a série Adolescência, utilizada no motivador da prova, também foi analisada de forma detalhada no post: 🔗 Adolescência, da Netflix: como usar a série em redações e o que ela revela sobre a juventude brasileira Essa análise permitiu que os estudantes já tivessem contato prévio com conceitos fundamentais presentes no enunciado. Por que esses dois temas fazem sentido para a Unicamp? Ambos os temas escolhidos refletem movimentos sociais amplos. No caso da machosfera, observa-se um aumento global de discursos antifeministas, reforçados por algoritmos de recomendação e pela lógica de comunidade que valida frustrações e ódios. Por conseguinte, compreender esse fenômeno exige atenção às dinâmicas emocionais, tecnológicas e sociológicas. No tema da CLT, a universidade parece reafirmar a importância de revisitar a história do trabalho no Brasil para entender os avanços sociais e os desafios contemporâneos. Ademais, ao pedir