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Canetas emagrecedoras: os riscos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento no Brasil | Tema de Redação

Valdiele Silva
24 de outubro de 2025
14 min de leitura
Para vestibulandosbanco de temas de redaçãorepertório sociocultural
Canetas emagrecedoras

De acordo com pesquisa da Ipsos (2025), cerca de 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar sobre as canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — número acima da média global, de 36%. Embora esses medicamentos sejam originalmente indicados para o controle da glicose em pessoas com diabetes tipo 2 e para o tratamento da obesidade, seu uso vem se popularizando entre pessoas saudáveis em busca de emagrecimento rápido.

Esse crescimento é impulsionado, sobretudo, pela influência das redes sociais, onde celebridades e influenciadores exibem resultados instantâneos, muitas vezes sem acompanhamento médico. Entretanto, o uso indevido dessas substâncias pode causar efeitos colaterais graves, como enjoo, perda de massa muscular, deficiência nutricional e dependência psicológica.

Diante disso, a discussão sobre o uso das canetas emagrecedoras ultrapassa o campo individual e se transforma em um problema de saúde pública, que exige educação em saúde, regulação estatal e conscientização sobre os riscos da medicalização da estética.

Proposta de Redação sobre Canetas emagrecedoras

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “O papel da agricultura familiar na promoção da alimentação saudável nas escolas públicas brasileiras”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. 

Desse modo, selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

Instruções para redação sobre Canetas emagrecedoras

O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.

O texto definitivo deve ser escrito à tinta preta, na folha própria, em até 30 (trinta) linhas.

A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para a contagem de linhas. 

Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:

  • 4.1 tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo consideradas “textos insuficiente”; 
  • 4.2 fugir do tema ou não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; 
  • 4.3 apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto;
  •  4.4 apresentar nome, assinatura, rubrica, ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto.

Textos motivadores para o tema: Canetas emagrecedoras — os riscos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento no Brasil

TEXTO I — O alerta sobre o uso indevido de canetas emagrecedoras

De acordo com pesquisa divulgada pela Ipsos (2025), 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar sobre as canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — índice bem superior à média global, de 36%. Esses medicamentos, originalmente indicados para controle de glicose em pacientes com diabetes tipo 2 e redução de peso em pessoas com obesidade, passaram a ser amplamente utilizados para fins estéticos.

A popularização do uso das canetas emagrecedoras está fortemente associada à influência das redes sociais, onde personalidades e influenciadores divulgam seus resultados, nem sempre acompanhados por profissionais de saúde. No entanto, especialistas alertam que o consumo sem orientação médica pode causar efeitos adversos graves, como enjoo, perda de massa muscular, deficiência nutricional e até problemas hormonais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou recentemente a necessidade de controle rigoroso, exigindo a retenção da receita médica para a compra dos medicamentos. Ainda assim, o uso indevido continua crescendo, impulsionado pelo desejo de alcançar padrões corporais impostos socialmente.

Nesse contexto, a discussão sobre as canetas emagrecedoras levanta questionamentos sobre saúde pública, ética médica e responsabilidade social, temas cada vez mais urgentes em uma sociedade marcada pela busca incessante pelo corpo ideal.

Fonte: Adaptado de G1 — Ipsos: 58% dos brasileiros ouviram falar sobre canetas emagrecedoras; média global é de 36% (2025).

Disponível em: g1.globo.com.

TEXTO II — Popularização das canetas emagrecedoras acende alerta sobre riscos à saúde

O crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, tem despertado atenção de médicos e autoridades de saúde em todo o país. Embora sejam aprovadas pela Anvisa para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2, o uso indevido dessas substâncias se expandiu, impulsionado pela influência de celebridades e influenciadores digitais.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a prescrição desses medicamentos mais que dobrou nos últimos dois anos, revelando um crescimento que nem sempre está associado à melhoria no cuidado médico, mas à busca por soluções rápidas diante de um problema multifatorial.

De acordo com a endocrinologista Dra. Patrícia Zach, do Hospital Dia Campo Limpo (CEJAM/SMS-SP), a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua em receptores hormonais que ajudam no controle da glicemia e no aumento da saciedade. Apesar dos benefícios clínicos, o uso sem orientação pode gerar efeitos adversos como náuseas, vômitos, constipação, dor de cabeça, reações alérgicas e risco de pancreatite, além do perigoso efeito sanfona, especialmente quando não há acompanhamento nutricional e psicológico.

A médica ressalta ainda que não existe tratamento milagroso e que cada caso deve ser avaliado individualmente, com apoio multidisciplinar. “As alternativas para o emagrecimento que devem ser priorizadas são as mudanças no estilo de vida, com incentivo à prática de atividades físicas e alimentação equilibrada”, afirma.

Além disso, a especialista defende a criação de políticas públicas de prevenção à obesidade, com foco na redução do preço de alimentos saudáveis e maior taxação de produtos ultraprocessados, como já ocorre em países como o México. Assim, a luta contra o avanço da obesidade precisa envolver educação alimentar, empatia e combate à desinformação, e não apenas a medicalização.

Fonte: Adaptado de CEJAM – Popularização das canetas emagrecedoras acende alerta sobre riscos à saúde (2025).
Disponível em:cejam.org.br

TEXTO III — Especialistas alertam para riscos do uso indiscriminado de canetas para emagrecer

O uso de medicamentos como Ozempic e similares, desenvolvidos originalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, vem crescendo no Brasil de forma alarmante. O problema é que, cada vez mais, essas substâncias têm sido utilizadas de maneira indiscriminada e sem prescrição médica, motivadas pela busca estética e pelo culto ao corpo magro.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), Bruno Halpern, há uma perigosa confusão entre “tratamento da obesidade” e “desejo social de emagrecer”. O especialista ressalta que os medicamentos devem ser destinados a pacientes com doenças crônicas e não a pessoas saudáveis que desejam perder alguns quilos rapidamente.

Durante um debate realizado na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, alertou-se que a venda dos remédios tem se expandido até mesmo sem controle de receita, em farmácias de manipulação e sites da internet, o que eleva os riscos de pancreatite, reações alérgicas e falsificações perigosas. A pesquisadora Tamires Capello, da USP, destacou que houve um crescimento de 663% nas vendas em seis anos, ultrapassando a marca de R$ 3 bilhões apenas com a semaglutida (substância presente no Ozempic) em 2024.

Embora o medicamento seja considerado seguro quando prescrito corretamente, especialistas reforçam que o uso racional e supervisionado é indispensável. Segundo Raphael Parente, representante do Conselho Federal de Medicina (CFM), esses fármacos são de uso contínuo e prolongado, e o abandono do tratamento pode causar efeito rebote, levando à recuperação do peso perdido.

Diante desse cenário, cresce o debate sobre a necessidade de políticas públicas que regulamentem a prescrição e o controle de medicamentos voltados à estética, além da aprovação do Projeto de Lei nº 2115/2024, que prevê a obrigatoriedade da retenção da receita médica para a compra dessas substâncias.

A banalização do uso dessas “canetas milagrosas” evidencia um problema mais profundo: a pressão estética e a medicalização da aparência, temas que envolvem tanto a saúde física quanto a saúde mental da população.

Fonte: Adaptado de Agência Câmara de Notícias — Especialistas alertam para riscos de uso indiscriminado de caneta para emagrecer (2024).
Disponível em: camara.leg.br

TEXTO IV — A crítica social presente na charge sobre as “canetas emagrecedoras”

A charge publicada no perfil do artista @sari_charges no Instagram (2025) apresenta uma crítica irônica à banalização do termo “canetas emagrecedoras” e, sobretudo, à desigualdade de oportunidades profissionais no Brasil.

Na imagem, um escritor oferece canetas comuns para venda, afirmando ser “escritor no Brasil”, enquanto um possível comprador, surpreso, observa que o objeto é apenas uma caneta esferográfica. O humor surge justamente da associação simbólica entre a caneta,  instrumento de escrita e criação,  e o produto farmacêutico que promete emagrecimento rápido, refletindo a falta de valorização da arte e do trabalho intelectual frente ao consumo superficial e às modas estéticas.

Desse modo, a charge evidencia a crise de valores culturais e o impacto do consumismo na identidade profissional, ao mesmo tempo em que ironiza o crescimento desmedido da procura por soluções “milagrosas” para problemas complexos, como a obesidade.

Assim, o autor utiliza o humor como ferramenta de crítica social, convidando o leitor a refletir sobre como o imediatismo e a cultura do corpo perfeito podem esvaziar o sentido de outras profissões e áreas do conhecimento, como a literatura e a ciência.

Fonte: Charge de Sari (2025), publicada no perfil @sari_charges.

Repertórios socioculturais para usar no tema sobre Canetas emagrecedoras

1. Quais obras literárias ajudam a refletir sobre o culto ao corpo e a pressão estética?

📘 “Ensaio sobre a cegueira” – José Saramago
Na obra, Saramago critica o comportamento coletivo e a perda da consciência ética em meio à desumanização. Pode ser usado como analogia à cegueira social diante das pressões estéticas e da medicalização do corpo, mostrando como a sociedade, em busca de padrões, deixa de enxergar os riscos reais à saúde.

📘 “O retrato de Dorian Gray” – Oscar Wilde
O protagonista busca manter uma aparência jovem e perfeita a qualquer custo, mesmo sacrificando sua humanidade. O livro simboliza a busca obsessiva pela beleza — assim como o uso das “canetas emagrecedoras” — e pode fundamentar o argumento sobre os perigos da vaidade extrema e da mercantilização do corpo.

2. Quais filmes e produções audiovisuais abordam a pressão estética e a medicalização do corpo?

🎬 “O diabo veste Prada” (2006)
O filme expõe a indústria da moda e o culto à magreza, mostrando como o padrão de beleza pode afetar o psicológico e as relações sociais. Pode ser usado para discutir a influência da mídia e das redes sociais na banalização do emagrecimento como meta estética.

🎬 “Girlboss” (Netflix, 2017) e “Black Mirror – Nosedive” (2016)
Ambas as produções refletem o impacto das redes sociais sobre a autoimagem e o comportamento humano. O episódio “Nosedive”, em especial, mostra como a busca pela aprovação social pode gerar sofrimento e dependência emocional — tal qual o uso de medicamentos sem acompanhamento médico para atender a padrões virtuais.

3. Quais leis e políticas públicas podem fundamentar a argumentação sobre regulação e saúde?

⚖️ Lei nº 9.782/1999 — Cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e regula o controle e a fiscalização de medicamentos no Brasil. Pode ser mencionada para defender a importância da regulação estatal sobre o uso e a venda de substâncias controladas, como as canetas emagrecedoras.

⚖️ Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) — Prevê ações de promoção da alimentação adequada e saudável, contrapondo o avanço da medicalização da obesidade e reforçando a necessidade de políticas preventivas baseadas em hábitos saudáveis.

⚖️ Projeto de Lei nº 2115/2024 — Em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a retenção obrigatória da receita médica na compra de medicamentos para emagrecimento. Pode embasar a proposta de intervenção na conclusão.

4. Quais fatos históricos e sociais evidenciam a influência do padrão corporal na sociedade?

📅 A ditadura da magreza nos anos 1990 e 2000 — O auge da cultura “zero gordura” e das dietas extremas consolidou o ideal de corpo magro como sinônimo de sucesso, impulsionando a indústria estética e farmacêutica. Esse contexto pode ser relacionado à atual popularização das canetas emagrecedoras, que repetem o mesmo ciclo de idealização e risco.

📅 A era digital e os filtros de imagem — Com a ascensão do Instagram e do TikTok, a exposição constante à estética “perfeita” intensificou distúrbios alimentares e a busca por soluções médicas para o corpo ideal, o que explica o aumento do consumo de medicamentos sem prescrição.

📅 Crescimento de transtornos alimentares — Dados da OMS (2023) indicam aumento global de casos de anorexia e bulimia entre jovens, o que reforça a urgência de políticas de educação em saúde mental e corporal.

5. Quais pensadores e teorias dialogam com o tema?

🧠 Zygmunt Bauman – Em “Vida para Consumo”, o sociólogo polonês explica que, na modernidade líquida, o corpo tornou-se uma mercadoria a ser exibida e aperfeiçoada constantemente. Pode ser usado para discutir a transformação do corpo em produto e a superficialidade das relações sociais ligadas à aparência.

🧠 Susan Sontag – Em “A doença como metáfora”, a filósofa analisa como a sociedade atribui valores morais à saúde e à aparência física, fazendo com que o corpo perfeito seja visto como símbolo de sucesso. Esse pensamento se relaciona à estigmatização da obesidade e à pressão estética que motiva o uso das canetas.

🧠 Pierre Bourdieu – Em “A distinção”, o sociólogo francês demonstra que as práticas corporais e estéticas refletem formas de capital simbólico, ou seja, o corpo magro passa a representar status social.

6. Quais repertórios culturais contemporâneos reforçam o debate?

🎵 Música “Pretty Hurts” – Beyoncé (2013)
A canção denuncia a busca exaustiva pela beleza e o sofrimento psicológico causado pela pressão estética. Pode ser utilizada para introduzir o argumento sobre a dor invisível por trás da aparência idealizada.

📖 Movimentos como “Body Positive” e “Saúde em Todas as Tamanhos”
Defendem a aceitação corporal e o enfrentamento ao padrão estético excludente, podendo ser aplicados como contraponto ético e social na conclusão da redação.

Argumentos para usar no tema sobre Canetas emagrecedoras

Argumento 1 — A pressão estética e o culto ao corpo impulsionam o uso irresponsável de medicamentos

Causa:
O avanço das redes sociais e da cultura da imagem consolidou um ideal de beleza baseado em magreza e juventude, transformando o corpo em um símbolo de status e sucesso. Nesse contexto, cresce o número de pessoas que recorrem às canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico, acreditando em promessas de resultados imediatos.

Consequência:
Esse comportamento gera riscos à saúde física e mental, como distúrbios alimentares, dependência medicamentosa e agravamento da gordofobia social. Além disso, perpetua a ideia de que o valor individual está ligado à aparência, e não à saúde integral ou ao bem-estar.

Grupo atingido:
Mulheres jovens e adultos em busca de aceitação social são os grupos mais vulneráveis, especialmente em ambientes digitais que reforçam padrões corporais inatingíveis.

Repertório aplicado:
O sociólogo Zygmunt Bauman, em “Vida para Consumo”, afirma que o corpo se tornou uma “mercadoria de exibição”, moldada para atender à lógica de consumo e aprovação social. Essa reflexão explica por que o uso dessas substâncias é impulsionado mais pela pressão estética do que por necessidades médicas.

Argumento 2 — A medicalização da vida e a falta de políticas públicas ampliam os riscos à saúde coletiva

Causa:
A ausência de políticas eficazes de educação alimentar e prevenção da obesidade faz com que a população busque soluções rápidas, baseadas em medicamentos de uso controlado. Além disso, a venda irregular e a publicidade nas redes sociais tornam o acesso às canetas mais fácil e perigoso.

Consequência:
O resultado é o aumento de casos de automedicação, efeitos colaterais graves (como pancreatite e deficiências nutricionais) e o fortalecimento da ideia de que é possível “tratar o corpo” sem mudar hábitos. Essa tendência reforça a desigualdade no acesso à saúde e sobrecarrega o sistema público.

Grupo atingido:
Pacientes com obesidade, transtornos alimentares ou baixa renda — que buscam alternativas de emagrecimento sem acompanhamento profissional — são os mais afetados por essa falta de controle e orientação médica.

Repertório aplicado:
A filósofa Susan Sontag, em “A Doença como Metáfora”, analisa como a sociedade cria julgamentos morais em torno da saúde e da aparência. No caso das canetas emagrecedoras, o corpo gordo é visto como falha moral, o que estimula o uso de fármacos em nome da “correção estética”.

Conclusão

Em síntese, a discussão sobre o uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras” evidencia um problema que ultrapassa o campo da saúde: trata-se de uma questão social e ética que envolve a pressão estética, o consumismo e a falta de políticas públicas efetivas de prevenção. É fundamental compreender que emagrecer com saúde requer acompanhamento profissional, informação de qualidade e responsabilidade social, e não soluções imediatistas que colocam vidas em risco.

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