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    Tema de Redação: Desinformação na Era da Informação

    Por Otavio Pinheiro
    10 de agosto de 2017
    9 min de leitura

    Atualizado em 01/11/2023

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    Com base nos seus conhecimentos e nos textos motivadores, elabore uma redação sobre o seguinte tema: DESINFORMAÇÃO NA ERA DA INFORMAÇÃO.

    Texto 1

    Pontos-chave

    • Cada vez mais são compartilhadas notícias falsas pela internet.
    • A divulgação de histórias falsas pode ter consequências reais, como causar prejuízos financeiros, constrangimentos, injúria e difamação de pessoas, empresas e organizações.
    • Em nosso tempo, todos nós podemos produzir e receber informação. Se por um lado essa possibilidade democratiza a comunicação, por outro facilita a divulgação de conteúdo feito sem responsabilidade.
    • O termo “pós-verdade” foi eleito pela Universidade de Oxford como a palavra do ano de 2016. Ele diz respeito a circunstâncias nas quais fatos objetivos e reais têm menos importância do que crenças pessoais.

    O 13º salário será extinto pelo Governo brasileiro. Obama chuta porta em protesto contra Trump. Diabo aparece em foto tirada no Maranhão. O que essas notícias têm em comum? Todas são falsas e se espalharam rapidamente pela internet.

    Uma informação gera conhecimento, ajuda a pessoa a construir uma opinião sobre determinado assunto e aprimora o debate público. Mas quantas informações falsas você já compartilhou nas redes sociais ou em grupos do WhatsApp?

    Não é porque algo está publicado por amigos ou em formato de notícia que necessariamente é verdade. Muitas vezes passamos para a frente algo que nem paramos para pensar de onde veio. É necessário cada vez mais cuidado e racionalidade ao ler as notícias.

    Em novembro deste ano, o Facebook e o Google anunciaram que vão combater sites que propagam notícias falsas, impedindo que estas plataformas utilizem seus serviços de publicidade.

    As medidas das duas companhias surgiram após o Facebook ser acusado de influenciar no resultado das eleições dos Estados Unidos. A rede social difundiu informações falsas que teriam beneficiado Donald Trump, o candidato eleito. Uma das notícias inverídicas populares foi a de que o papa Francisco havia dado seu apoio ao candidato republicano.

    Os boatos sempre existiram. Antes mesmo de existir a escrita, o “ouvir dizer” era o único veículo de comunicação nas sociedades. O rumor é uma prática que pode existir em qualquer grupo ou classe social. Basta lembrar da brincadeira do telefone sem fio, na qual uma mensagem passa de boca em boca.

    O estudioso francês Kapferer define boato como “uma proposição ligada aos acontecimentos diários, destinada a ser aumentada, transmitida de pessoa a pessoa, habitualmente através da técnica do ouvir dizer, sem que existam testemunhos concretos capazes de indicar exatidão”.

    Mas por que tantas pessoas acreditam em boatos, mesmo aqueles de teor absurdo? Os psicólogos norte-americanos Allport e Postman afirmam que qualquer necessidade pode dar movimento a um rumor. O desejo obstinado de se acreditar nele, nossos medos, esperanças, curiosidades, inseguranças, tensões, ideologias, crenças e preconceitos.

    Outro fator é a confiança na pessoa ou veículo que transmitiu o fato. Grande parte das notícias nas redes sociais são compartilhadas por amigos e conhecidos nos quais os usuários têm confiança, o que aumenta a veracidade de uma história.

    Para um boato existir, ele precisa ser propagado. Segundo Kapferer, se não houve uma ambiguidade ou se a importância ou relevância de um fato for nula para o público-alvo, não haverá a multiplicação da notícia.

    Com a evolução da tecnologia que permite o acesso à internet, mais pessoas puderam se conectar à rede. Os boatos digitais ganharam os apelidos de “hoax”. São histórias falsas que circulam na internet. Recebidas por e-mail ou compartilhadas em sites de relacionamento, elas aparecem a todo momento.

    Marcas também se aproveitam da dinâmica das redes sociais para “fabricar” notícias com potencial de viralidade. É o caso da notícia do enterro de um carro pelo milionário Chiquinho Scarpa. Em 2013, ele havia chamado a imprensa para cobrir o enterro de seu carro de luxo no jardim de sua mansão. Mas, depois de toda a controvérsia que levantou, Chiquinho revelou que tudo tinha um motivo bem mais nobre: o lançamento de uma campanha de doação de órgãos. Alguns veículos fizeram a cobertura ao vivo e caíram na pegadinha.

    A divulgação de histórias falsas pode ter consequências reais, como causar prejuízos financeiros, constrangimentos, injúria e difamação de pessoas, empresas e organizações. Em casos extremos, pode originar ações violentas. Em 2014, uma mulher foi espancada até a morte na cidade de Guarujá (SP), depois de ser acusada, em boatos em redes sociais, de que sequestrava crianças. No entanto, ela era inocente.

    O jornalismo e a checagem de informações

    A tradicional produção de notícias por empresas jornalísticas consistia em produzir e disseminar uma informação, a partir de uma equipe de profissionais e um acesso restrito a fontes. O emissor emitia a mensagem para o receptor, em um processo praticamente sem mediações. A imprensa exercia o papel de ser o porta-voz do mundo real.

    Em nosso tempo, todos nós podemos produzir e receber informação. Com a internet, o cidadão pode criar a informação e a colocar em tempo real em relatos, vídeos e fotos. Se por um lado essa possibilidade democratiza a comunicação, por outro, facilita a divulgação de conteúdo feito sem responsabilidade.

    O jornalista trabalha com a credibilidade dos fatos. O compromisso com a verdade e a apuração precisa são fundamentais para o jornalismo e permitem que um veículo seja uma fonte de informação confiável e de credibilidade.

    Um dos processos necessários à prática jornalística é a apuração, a etapa de checagem de informações. O jornalista deve checar os dados para ver se um fato é real ou não. Para isso, ele pode realizar entrevistas com diversas fontes, levantar informações das fontes citadas, conferir dados, cruzar fatos e estabelecer conexões e contextos. Sem a checagem, o que se apresenta é um conjunto de dados que podem estar incorretos, incompletos ou que reflitam o interesse de uma pessoa e não o interesse público.

    O sociólogo T. Shibutani afirmou que “o boato é o mercado negro das informações”. O uso das redes sociais representam um desafio a mais nessa questão. Agora é possível produzir um boato e em pouco tempo espalhar a notícia para milhares de pessoas.

    O problema aumenta quando a pessoa só se informa pelas redes sociais. Em junho, o Facebook alterou seu algoritmo para diminuir o alcance de postagens de sites noticiosos e privilegiar posts de amigos e familiares. Esse mecanismo pode ter uma consequência inusitada: aumenta a probabilidade dos usuários receberem informações de quem pensa igual a ele –e, portanto, corrobora seu ponto de vista.

    Muitas vezes as notícias falsas vão parar em jornais conceituados da grande imprensa como se fossem verdadeiras. Em 2014, isso aconteceu com a história da suposta exigência do ditador norte-coreano Kim Jong-Un, que teria imposto a todos os homens daquele país o seu corte de cabelo. A informação repercutiu pelo mundo e foi publicada como verdadeira na mídia online, corrompendo, deste modo, a credibilidade jornalística de apuração.

    Como separar o joio do trigo, ou seja, o que é real do que é falso? A recomendação é que antes de compartilhar qualquer informação, quando possível, seja verificada a sua veracidade. Em um contexto de avalanche de informações e de rápida disseminação, a checagem se tornou uma atividade ainda mais complicada. Como checar tudo? A imprensa possui um papel estratégico nessa necessidade. Porém, a busca pelo furo de reportagem ou pelo clique mais rápido são alguns dos motivos que fazem com que muitos veículos da imprensa deixem o compromisso da checagem de lado.

    A demanda de checar um grande volume de dados fez surgir serviços e organizações especializadas em descobrir a veracidade das informações que circulam na sociedade. Em 2015, 64 grupos praticavam a checagem de fatos e dados publicados pela imprensa em mais de trinta países.

    Existem ainda serviços que verificam a veracidade de dados e declarações públicas de políticos e personalidades. No Brasil, são exemplos a Agência Lupa e os sites Aos Fatos, Detector de Mentiras e o projeto Truco, da Agência Pública. Boatos populares da internet também são desmentidos por sites como Boatos.org e E-farsas, que identificam fraudes e montagens.

    Recentemente o Google inaugurou o serviço “Fact Check”. A proposta é que o internauta que navegue pelo Google Notícias possa visualizar a tag “fact check”, que garante que a informação não é falsa e que o criador do conteúdo atendeu a determinados critérios de qualidade. No momento, apenas usuários do Reino Unido e Estados Unidos conseguem enxergar a sinalização sobre os fatos de cada notícia. A tendência é que esse tipo de serviço de verificação aumente.

    A ascensão da era da pós-verdade

    O termo “pós-verdade” foi eleito pela Universidade de Oxford como a palavra do ano de 2016. O adjetivo diz respeito a circunstâncias nas quais fatos objetivos e reais têm menos importância do que crenças pessoais.

    A palavra é cada vez mais usada na cobertura de temas políticos. Segundo analistas, a verdade está perdendo importância no debate político e as pessoas não estão sendo influenciadas por argumentos racionais e pelos fatos concretos. Elas estão tomando decisões com base em suas emoções, sentimentos e crenças, ou seja, suas visões de mundo.

    Assim, um boato de algo que não aconteceu mas que esteja alinhado à visão de mundo de uma pessoa ganha destaque com a pré-disposição dela em acreditar naquilo. E a sua circulação massiva e sem controle produz um efeito de verdade. O problema é que a pessoa nega o conhecimento, pois prefere acreditar na mentira, em algo que corrobore ou que não abale suas crenças.

    São exemplos o boato divulgado de que o papa Francisco apoiava a candidatura de Donald Trump. Outro exemplo é a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, apelidada de “Brexit”. Durante a campanha pelo Brexit, foram espalhados boatos mentirosos de que a permanência no bloco custava à Grã-Bretanha US$ 470 milhões por semana. Apesar de infundadas, denunciar as informações falsas não foi suficiente para mudar a opinião pública. As mentiras foram inventadas para inflar preconceitos e radicalizar posicionamentos.

    Fonte: desinformacao na era da informacao o compartilhamento de mentiras e boatos na internet (vestibular.uol.com.br)

    Referência deste artigo

    Otavio Pinheiro. Tema de Redação: Desinformação na Era da Informação. Redação Online. Publicado em 10/08/2017.

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